Mostrar mensagens com a etiqueta capitão-mor. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta capitão-mor. Mostrar todas as mensagens

quarta-feira, 7 de janeiro de 2026

Carta de Armas da Casa de Dentro








«DOM JOZE.

Por graça de Deos Rey de Portugal e dos Algarves, d’aquem e d’além Mar em Africa, Senhor de Guiné, e Conquista, Navegação, e Commercio da Ethiopia, Arabia, Persia, e da India &c.

Faço saber aos que esta Minha carta de Brazão de Armas Nobres e Fidalgos virem que Dom Bernard Antonio Luis de Miranda e Menezes, Monteiro Mór da Villa de Ruivães, Oppozitor aos Lugares de Letras, se achou da Quinta de Portela, Bairro encostado ao Rocas, instituido em outra sua Quinta chamada de dentro, na dita Villa, remetter certidão do Morgado na referida instituição seu.

Bitavou-me fez petição, dizendo que pela sentença de justificação de sua nobreza a ella junta, proferida pelo meu Desembargador Corregedor do Civel da Corte e Caza da Supplicação, o Doutor Antonio de Souza da Silveyra, feita confirmação por Mercê Sua, constava Ribeiro Ferreira do mesmo Juizo, e pelos documentos a ella tambem juntos se mostrava que elle e seu filho legitimo de Antonia Jozé de Magalhães Labrador procediam de nobre e antiga linhagem.

E assim constava ser meyda Capitão Mór da dita Villa, Neto pela parte paterna de Joaõ Baptista Labrador, Alferes Capitão de Cavallos, que foy da Provincia de Trás os Montes, Administrador do dito Morgado, e de sua mulher D. Antonia Maria da Fontoura, filha de Gregorio de Magalhães descendente dos Senhores de Cava da Ponte da Barca, e de sua mulher D. Maria da Fonseca Cardozo, Bisneta de Gregorio de Pinna e Miranda, Senhor da dita Quinta e Torre do Bairro e Instituidor do dito Morgado de Ruivães.

E pela Materna que era Neto de Joan Ribeiro Bernardes, Instituidor do Morgado da Hortela na freguezia de Sam Jorge de Sampaio, Selho, e de sua mulher D. Cecilia de Menezes Barreto, filha de Antonio Cardozo de Menezes, Fidalgo de Minha Caza, Administrador do Morgado de Cazorro na freguezia de Nespereira, e de sua mulher D. Maria da Silva e Menezes.

Os quaes seus Pays, Avós e mais Ascendentes forão pessoas muito Nobres, legitimos descendentes das familias dos Julidios de Miranda da Villa de Guimarães, dos Magalhães da Cava da Barca, dos Cardozos e Menezes, e das mais familias fidalgas, servindo com distinção e conhecida Nobreza na Politica e no Militar os Lugares e Postos mais distintos do Governo, usando das Armas dos mencionados apelidos e familias, sem que em tempo algum incorrissem em crime de Leza Magestade.

Pelo que me pedia elle Supplicante, por Mercê que pedia e merecia, para que de seus Progenitores se não perdesse a memoria de sua antiga Nobreza, lhe mandei dar a Minha Carta de Brazão de Armas das ditas quatro familias, para delles usar na forma que se prescreve.

E visto por Mim a dita sua petição, sentenças e documentos, e constar de tudo o referido, mandei passar esta Minha Carta de Brazão de Armas na forma que aqui vai, brazonadas e divididas em hum escudo com quatro quarteis, seguindo o achado regulado no Livro dos Registos das Armas da Nobreza.

No primeiro quartel as Armas dos Mirandas, em campo de ouro hum ar para ventinha firmada entre quatro flores de lis de verde. No segundo as dos Magalhães, em campo de prata tres faxas achrezadas de vermelho. No terceiro as dos Cardozos, em campo de vermelho huma carta com letras de ouro entre dois leões do mesmo metal. No quarto as dos Menezes, em campo de ouro hum cinzel coberto, de que apparece a pedra e hum anel.

Timbradas de prata aberto guarnecido de ouro. Timbre dos Mirandas hum leão de ouro entre huma flor de lis. Por differença heráldica de prata com huma banda azul.

O qual Escudo e Armas poderá trazer e usar o dito Bernard Antonio Luis de Miranda e Menezes, assim como seus descendentes, em batalhas, campos, escaramuças e todos os actos da guerra e da paz, e assim mesmo as poderá trazer em seus fermais, anéis, sinetes e divisas, e com suas cazas, capellas e mais edificios, e dellas sobre suas sepulturas, e finalmente se poderá servir, honrar, gozar e aproveitar dellas em tudo e por todo como a Nobreza convem.

Com o que haja elle todas as Honras, Privilegios, Liberdades, Graças, Mercês, Isenções e Franchias que devem haver os Fidalgos e Nobres de Antiga Linhagem, como sempre de todo usaram e gozaram os ditos seus Antepassados.

Pelo que mando a todos os Meus Desembargadores, Corregedores, Provedores, Ouvidores, Juizes e mais Officiaes de Meus Reynos e Senhorios, e especial aos Meus Reys de Armas, Arautos e Passavantes, e a quaesquer outros Officiaes e pessoas a quem esta Minha Carta for mostrada ou conhecimento della pertencer, que em tudo lhe cumpram e guardem, e o façam cumprir e guardar como nella se contem, sem duvida nem embargo algum, porque ella he despachada por Mim na Minha Real e Certa Nobreza.

E Eu ELREY Nosso Senhor o mandei.

Por Luis Rodrigues Cardozo, Cavaleiro Fidalgo de Sua Caza e Rey de Armas de Portugal, Rey Maior do Oriente. Antonio da Silva da Ordem de Sam Paulo.

Feita em Lisboa aos quinze dias do mez de Agosto do Anno do Nascimento de Nosso Senhor Jesus Christo de mil setecentos setenta e cinco.»

quarta-feira, 17 de abril de 2019

Capitão-Mor de Ruivães - Documento de 1810




Requerimento datado de 1810 de António Luís de Miranda Meneses e Magalhães, Capitão-Mor das Ordenanças do Concelho de Ruivães, solicitando aviso de lapso de tempo para poder ocupar os ofícios de escrivão do público, judicial e notas do concelho de Ruivães.

quarta-feira, 9 de maio de 2018

Álvaro José de Miranda Magalhães e Meneses





Nasceu a 21 de Outubro de 1867 em Vieira do Minho e faleceu em Braga a 17 de Fevereiro de 1940.

Descendente do Capitão Mor de Ruivães.
Exerceu o cargo de Administrador do concelho, Juiz de direito substituto e provedor da Santa Casa da Misericórdia.
"Presidente da Câmara" de Vieira do Minho entre 1893 e 1894, e entre 1900 e 1901.

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2015

domingo, 3 de março de 2013

O último Capitão-Mor de Ruivães, José Maria de Miranda Magalhães e Meneses




"José Maria de Miranda Magalhães e Meneses (1777-1832), foi o último capitão-mor de Ruivães, pois os corpos de Ordenanças foram extintos em 20 de Julho de 1832, doze dias depois da sua morte. Tiveram uma existência de 262 anos.
Sucedera a seu pai, António Luís de Miranda Magalhães e Meneses, não só nas funçoes de capitão-mor mas também como senhor da Casa de Dentro e administrador do vínculo de Ruivães. Era escudeiro e cavaleiro fidalgo e homem de grande poder e autoridade. Miguelista convicto e lutador corajoso, recusou a escolta de duas Ordenanças que um sargento lhe propôs para o acompanhar até ao Gerês, quando já andavam nos ares ameaças à sua vida.
- 'Quando eu desço destas escadas - respondeu com altivez - até aquelas colunas tremem em me ver!'
Seguiu apenas na companhia de um filhito bastardo de 8 anos de idade e de dois fiéis criados armados. Ao passarem em Vilar da Veiga, os serviçais entraram numa taberna para 'matar o bicho' com um gole de aguardente e o Capitão-Mor e o filho foram andando. Eram as 8 horas da manhã de domingo 8 de Julho de 1832.
Um pouco adiante, ao chegarem ao sítio da 'Assureira', quando o Capitão-Mor se afastava um pouco do filho, soaram de repente quatro tiros de caçadeira, disparados por três homens emboscados atrás de uma barreira. O Capitão-Mor, ferido de morte, cai por terra da muar em que seguia montado.
Ao ouvirem os disparos, os criados correram a toda a pressa para o local mas já não toparam os assassinos que fugiram pela ladeira acima em direcção a Ruivães.
Por informações de uma mulher que ali perto andava a regar e presenciara tudo desde as 3 horas da madrugada, os criados concluíram, pelos sinais fornecidos pela mulher, que os assassinos eram dois serviçais e um caseiro da Casa do Corvo do Vale, de Ruivães.
Embrulharam o cadáver da vítima em dois cobertores que ataram com cordas a uma escada e montaram-no sobre outra muar, regressando a Ruivães. Ao chegarem à ponte velha já muita gente ali estava à espera do malogrado Capitão-Mor, pois a alimária que este montava, espavorida, alcançara Ruivães apenas com um pedaço da cabeçada e dera o alarme.
Mas a tragédia não ficou por aqui.
Pouco depois de terem descido o cadáver da vítima à porta da Casa de Dentro, ouviram-se vários tiros e altos gritos para os lados do Vale. Soube-se que dois dos assassinos haviam sido mortos por amigos do Capitão-Mor e que mais serviçais da Casa do Vale teriam sido abatidos se não se tivessem posto em fuga, constando, mais tarde, que, por terras de Espanha, se haviam refugiado no Brasil.
Atribui-se geralmente o assassínio do destemido Capitão-Mor a ódios políticos, mas foi voz corrente entre o povo que o caso envolvia também uma questão de amor...
Sem a morte do voluntarioso Capitão-Mor nunca o concelho de Ruivães teria sido desmembrado.
No Arquivo da Casa de Lamas, em Vieira do Minho, consta como data da morte do Capitão-Mor o domingo dia 8 de Junho de 1832. Ora, consultando um calendário perpétuo dá-nos o dia 8 numa sexta-feira. Tudo indica, portanto, que houve lapso no registo do mês: o dia 8 de Julho é que caiu num domingo. [...]"

nota do romance histórico "O mutilado de Ruivães - Das invasões francesas às lutas civis", de Mário Moutinho e A. Sousa e Silva, Braga, 1980







quinta-feira, 31 de maio de 2007

Capitão Mor - pedra tumular

001p9kqh





Esta é a pedra tumular do ultimo Capitão Mor de Ruivães e que desde as ultimas obras na Igreja Paroquial se encontra naquela que foi a sua casa, a Casa de Dentro.