sábado, 14 de março de 2026

'Ponte medieval sobre cachoeira vibrante'


«A Senhora da Roca»

 



“Esta designação porque sempre foi conhecida esta santinha que é a par de outros santos padroeira de Ruivães, está envolvida por uma história (real) que muitos ruivanenses por certo desconhecem. Tudo começou em finais do século XIX, quando o governo do rei D. Luiz I resolveu intervir na requalificação da estrada que ligava Braga a Chaves (a atual Estrada Nacional 103).

Naquela altura, todas as estradas do país eram designadas por “Estradas Reais” (ER), e a 103 era a Estrada Real 35 (ER 35), reconhecida como das principais no norte do país, o que justificava uma intervenção profunda, não obstante os altos custos que a obra iria acarretar. Teriam pela frente muitos obstáculos físicos, como a sua sinuosidade, grandes relevos do terreno e nalguns casos aturados trabalhos de engenharia, como a construção de pontes para encurtar distância, etc. Mas o reino vivia tempos desafogados. Contrataram-se então empresas e engenheiros de nomeada, e para o troço que abrangia Ruivães, onde uma pon­te era indispensável, foi en­carregue um construtor de Ávila (Espanha), para dotar a nossa vila com uma ponte espetacular em pedra sobre o rio Saltadouro, que veio substituir uma velhinha feita com traves no local do famoso poço com o mesmo nome, e é aqui que começa a ligação à Senhora da Roca e à sua capelinha.

Como é usual, iniciaram-se os trabalhos pela construção dos pilares um cada margem, sobre os aos quais o “tabuleiro” iria assentar. Porém, quando o tabuleiro iniciado na margem sul se aproximou da margem norte, constatou-se um desvio acentuado. Não coincidia! Desgraça das desgraças! Deu uma síncope ao construtor! Pois não, imaginem o prejuízo que desse erro adviria! Ao fim de algum tempo lá acalmou, estudou uma forma de contornar o erro. Alterou medidas e invocou á santa da sua terra, Santa Teresa de Ávila, que lhe acudisse, prometendo-lhe que se o novo plano resultasse, lhe erigiria uma capela naquelas imediações, E… não é que resultou? Ficou uma marca indelével do erro, lá está visível, e a promessa foi cumprida. Pouco acima da estrada, sobre um precipício encimado por uma grande “rocha”, edificou a capelinha. Estávamos em 1881 (data gravada na ponte). Naquele tempo, a palavra “rocha” escrevia-se e pronunciava-se “roca”.

Então, a imagem de Santa Teresa de Ávila viria a ser conhecida por “Senhora da Roca”, como Roca ainda hoje é conhecido o local. Passaram-se anos, e o povo que “roca” chamava àquele utensílio para fiar o linho e a lã, fez uma união dos nomes e alguém colocou na mão da Santa uma roca dessas, enquanto o pedregulho “roca” passou a chamar-se “rocha”. Mais recentemente, essa e outras imagens foram roubadas, e então se repôs uma outra imagem de uma Santa Teresa (que há várias), e uns lhe chamam “do Menino Jesus” outros simplesmente “Santa Teresa”, e a designação “de Ávila”, perdeu-se no tempo, bem como a homenagem do construtor também.

Enfim!... Não termino sem aludir a uma recitação que meu avô muitas vezes citava: - “Santa Teresa de Jesus, foi ao inferno em vida. Veio de lá admirada, com tanta alma perdida”.

Santa Tersa de Ávila vos proteja.


Manuel Joaquim F. Barros
2026-01-29

Retirado d' O Jornal de Vieira nº 1237 de 1 de Fevereiro de 2026.

«Faleceu Antonieta Dias a primeira deputada vieirense na Assembleia da República»






Às primeiras horas da manhã de 12 de Janeiro corria veloz a notícia do falecimento, em 11 de Janeiro, de Antonieta Dias, médica de família e primeira mulher vieirense a exercer funções de Deputada na Assembleia da República.

Maria Antonieta Antunes Dias nasceu em Vieira do Minho a 12 de Março de 1952, foi Mestre em Medicina e Mestre em Medicina Desportiva, tendo frequentado o Doutoramento, desta área. Desenvolveu uma vasta actividade clínica, académica e pericial, exercendo funções, entre outras, no Hospital Privado da Boavista, no Centro de Medicina Desportiva do Porto e no Centro Médico-Legal Prof. Pinto da Costa. Foi Professora Convidada da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto e do Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar, colaborou na forma­ção pré e pós-graduada, orientou Internos de Medicina Desportiva e do Curso de Pós-Graduação em Ge­ria­tria, sendo igualmente autora de obras na área da psicologia aplicada ao desporto.

Para além de médica de família de muitos vieirenses, exerceu vários cargos políticos a nível local, re­gio­nal e nacional.

A nível local, enquanto Presidente da Concelhia do CDS-PP de Vieira do Minho, candidatou-se por este partido, em 1989, à Câmara Municipal, tendo sido eleita Vereadora, a quem foi atribuído o pelou­ro da Cultura, cargo que exerceu com considerada e reconhecida competência, ainda hoje sendo recordada por iniciativas ambiciosas e de grande contributo cultural, como a de fundadora da Orquestra Norte.

A nível regional, a Dra. Antonieta Dias, no âmbito da Ordem dos Médicos, foi Membro do Conselho Nacional da Solidariedade Social, Presidente da Comissão Regional da Solidariedade Social da SRNOM (Secção Regional do Norte da Ordem dos Médicos) e Membro da Assembleia de Representantes, contribuindo de forma relevante para o reforço da interven­ção social da Ordem. Exer­ceu funções públicas, administrativas, designa­da­mente como Diretora de Serviços de Saúde da Sub-Região de Saúde de Braga, Coordenadora do Gabinete Médico-Legal de Braga, Adjunta da Direção do Centro de Saúde de Braga (Carandá).

A nível nacional, foi Deputada da Assembleia da República, integrando o Grupo Parlamentar do CDS-PP, na XIª Legislatura (27 de Setembro de 2009), tendo sido a primeira mulher vieirense a exercer este cargo.

Viveu como dizia querer viver: com honra, a praticar a justiça, a amar o próximo e a trabalhar pa­ra a felicidade da humanidade.

As cerimónias fúnebres decorreram em 13 de Janeiro na igreja paroquial de Nossa Senhora da Boavista, Porto.

Em “nota de pesar”, a Câmara Municipal de Vieira recorda que a antiga vereadora da Cultura, “teve um vasto percurso que se distinguiu pelo ser­vi­ço à saúde, à formação académica, à Ordem dos Médicos e à causa pública”. Também A Comissão Política do CDS/PP de Vieira do Minho enviou à redação de JV uma nota de pesar que destaca a “ilustre vieirense, democrata-cristã convicta e ativa, Médica ilustre e dedicada, que viveu a medicina como mais uma forma de se colocar ao serviço do Outro. Parte uma pessoa de valores humanistas e cristãos, sempre priorizando a caridade e a defesa do Bem e da Vida”.

O Jornal de Vieira apre­sen­ta à família sentidas condolências.

Retirado d' O Jornal de Vieira nº 1236 de 15 de Janeiro de 2026.

A Dr.ª Antonieta Dias foi médica no Posto Médico em Ruivães no início dos anos 90 do séc. XX.

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«Projeto cultural quer colocar Ruivães no mapa das residências artísticas internacionais»




O presidente da Câmara Municipal, Filipe de Oliveira, o Vice- presidente, Pedro Pires e o presidente da Assembleia Municipal, Lobo Gonçalves, reuniram, no passado domingo, em Ruivães, com o cineasta Rodrigo Areias para conhecer o projeto de requalificação da Quinta da Cruz, destinado à criação de residências artísticas.

A iniciativa prevê a criação do CANA – Centro de Arte e Natureza do Ave, um espaço de residências artísticas a instalar em Ruivães, no concelho de Vieira do Minho. O centro terá como foco a interação entre práticas artísticas e a natureza, afirmando-se como uma estrutura cultural de base territorial capaz de dinamizar a criação artística, a experimentação e a valorização do património ambiental e imaterial da região. 

O projeto tem como objetivo apoiar a criação artística contemporânea, com especial destaque para o cinema, mas também para as artes performativas e os ofícios artísticos. Pretende ainda promover o diálogo entre arte e natureza, incentivando práticas sustentáveis enraizadas no território, bem como criar condições para acolher artistas nacionais e internacionais em regime de residência.

Além disso, o CANA pretende valorizar e dinamizar o contexto local e intermunicipal através de parcerias com entidades culturais e programação artística da região.

A infraestrutura prevista inclui dez quartos para acolhimento de criadores, diversos espaços de trabalho, salas de reunião, áreas de trabalho de mesa e convívio, espaços dedicados a cinema e pós-produção, estúdio de som, salas de ensaio, oficina de cenografia e áreas destinadas a ofícios das artes visuais.

A entidade promotora do projeto é a Olho de Vidro – Associação Artística e Cultural, uma instituição sem fins lucrativos dedicada à defesa e promoção da atividade artística, privilegiando sobretudo a vertente da produção cinematográfica.

No âmbito do desenvolvimento do projeto, a associação já assinou um protocolo com a Comunidade Intermunicipal do Ave para o reconhecimento da relevância regional do centro. Paralelamente, tem sido desenvolvido um trabalho regular com a União de Freguesias de Ruivães Campos, prevendo-se um forte envolvimento da comunidade local em várias dimensões, bem como a colaboração com outras coletividades e cidadãos do território.

Entretanto, já foi solicitado parecer à Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Norte, no âmbito do aviso de concurso NORTE2030-2025-16, inserido no programa NORTE 2030, que poderá apoiar a concretização deste projeto cultural para a região.

A concretização de um projeto como o CANA – Centro de Arte e Natureza do Ave representa uma oportunidade estratégica para o desenvolvimento cultural, social e económico do território. A instalação de um espaço dedicado à criação artística contemporânea em Ruivães, no concelho de Vieira do Minho, poderá contribuir para afirmar a região como um polo de inovação cultural, capaz de atrair criadores, investigadores e visitantes de diferentes origens.

Para além de potenciar a criação artística, um centro desta natureza promove também a valorização da paisagem, da memória e das tradições locais, estimulando novas formas de diálogo entre arte, natureza e comunidade. Ao acolher artistas nacionais e internacionais e ao trabalhar em parceria com entidades e agentes locais, o projeto tem igualmente o potencial de gerar novas dinâmicas culturais e educativas, reforçando a identidade do território e contribuindo para a sua projeção a nível regional, nacional e internacional.


https://sapo.pt/artigo/projeto-cultural-quer-colocar-ruivaes-no-mapa-das-residencias-artisticas-internacionais-69b3e93e3d53858f445d4a37

sábado, 7 de março de 2026

Cabras no Saltadouro

 


'Capela à beira da estrada N103'

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«Ponte da Misarela é candidata às Novas 7 Maravilhas de Portugal»



A Câmara Municipal de Vieira do Minho apresentou oficialmente a candidatura da Ponte da Misarela ao programa 'As Novas 7 Maravilhas de Portugal', numa iniciativa conjunta com a Câmara Municipal de Montalegre. O projeto, que simboliza a colaboração entre os dois municípios, visa eleger, por voto popular, os patrimónios construídos mais notáveis de Portugal.

A candidatura insere-se na categoria de Património Histórico e visa destacar patrimónios de relevância regional. No total, poderão estar a concurso até 343 patrimónios, dependendo do número de candidaturas apresentadas por cada região, sendo avaliados por especialistas e pelo voto popular ao longo do concurso.

Um património histórico e lendário

A Ponte da Misarela é uma ponte medieval em granito, erguida sobre o Rio Rabagão, que liga as freguesias de Ruivães (Vieira do Minho) e Ferral (Montalegre). Localizada num desfiladeiro íngreme, destaca-se pelo arco de cerca de 13 metros e pela beleza natural envolvente. Classificada como Imóvel de Interesse Público, é reconhecida pelo seu elevado valor patrimonial e histórico.

Originalmente construída na Idade Média e reconstruída no início do século XIX, a ponte foi palco da passagem das tropas do marechal francês Soult em 17 de maio de 1809, durante a 2.ª Invasão Francesa, servindo como rota de fuga para Espanha. Além do seu papel histórico, a ponte é envolta em lendas populares, incluindo pactos com o Diabo e antigos rituais ancestrais, o que lhe valeu a designação popular de"Ponte do Diabo", tornando-se um símbolo da tradição cultural minhota.

Impulso para o turismo e valorização local

De acordo com a autarquia vieirense, a candidatura representa uma oportunidade única de promoção turística e cultural , quer para Vieira do Minho quer para Montalegre. A seleção da ponte como uma das maravilhas portuguesas poderá atrair visitantes, incentivar o estudo do património histórico e reforçar a identidade cultural das duas regiões.

Embora tenha sido Vieira do Minho a apresentar formalmente a candidatura (dado que apenas um município podia fazê-lo), "o projeto é um esforço conjunto entre Vieira e Montalegre, refletindo a cooperação na valorização deste marco histórico do norte de Portugal".

Os cidadãos interessados poderão acompanhar as fases do concurso e votar, contribuindo para a preservação e promoção de um dos patrimónios mais emblemáticos da região.

Caminho para S. Cristóvão




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bom dia!