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terça-feira, 17 de março de 2026
«Universidade de Coimbra homenageou Juiz Conselheiro Júlio Pereira, com raízes em Ruivães»
A Universidade de Coimbra homenageou, a título póstumo, no passado dia 27 de fevereiro, o Juiz Conselheiro Júlio Alberto Carneiro Pereira, numa cerimónia evocativa que destacou o seu percurso ímpar na magistratura portuguesa e o seu contributo para o Estado de Direito. A sessão contou com a presença do Presidente da Câmara Municipal de Vieira do Minho, Filipe de Oliveira, que marcou presença em representação oficial do Município, e do Presidente da Junta da União de Freguesias de Ruivães e Campos, Rui Silva.
A cerimónia decorreu no Anfiteatro do Laboratório Químico (Museu da Ciência), no âmbito das “Conversas da Casa da Lusofonia”, integradas nas celebrações do Ano Novo Chinês. O momento reuniu diversas personalidades do meio académico, jurídico e político.
Natural de Montalegre, Júlio Pereira mantinha profundas ligações familiares a Vieira do Minho, concretamente à freguesia de Ruivães, terra de origem do seu pai. Essa ligação ao concelho minhoto foi recordada como parte essencial da sua identidade pessoal e cultural.
Licenciado em Direito pela Universidade de Coimbra, desempenhou funções de elevada responsabilidade ao longo da sua carreira, incluindo o cargo de Juiz Conselheiro no Supremo Tribunal de Justiça. Exerceu ainda funções como Secretário-Geral do Sistema de Informações da República Portuguesa (SIRP) e Diretor-Adjunto do Serviço de Informações de Segurança (SIS), sendo amplamente reconhecido pelo seu rigor, discrição e elevado sentido de serviço público.
Na ocasião, o Presidente da Câmara Municipal de Vieira do Minho destacou o orgulho da comunidade vieirense pelo percurso do magistrado, sublinhando que “Júlio Pereira foi um exemplo maior de dedicação ao serviço público e à Justiça, honrando as suas raízes e projetando o nome da nossa terra a nível nacional”. Acrescentou ainda que “Vieira do Minho se revê em figuras que, como ele, aliaram competência, integridade e profundo sentido de missão”.
Um legado que honra as raízes minhotas
Em Vieira do Minho, a evocação da figura de Júlio Pereira é vista como motivo de orgulho para a comunidade, reforçando a projeção nacional de personalidades com raízes no concelho. A homenagem da Universidade de Coimbra sublinhou não apenas a dimensão institucional do magistrado, mas também o seu perfil humano e a sua ligação à lusofonia e ao diálogo intercultural.
Retirado d' O Jornal de Vieira nº 1240 de 15 de Março de 2026.
domingo, 15 de março de 2026
sábado, 14 de março de 2026
«A Senhora da Roca»
“Esta designação porque sempre foi conhecida esta santinha que é a par de outros santos padroeira de Ruivães, está envolvida por uma história (real) que muitos ruivanenses por certo desconhecem. Tudo começou em finais do século XIX, quando o governo do rei D. Luiz I resolveu intervir na requalificação da estrada que ligava Braga a Chaves (a atual Estrada Nacional 103).
Naquela altura, todas as estradas do país eram designadas por “Estradas Reais” (ER), e a 103 era a Estrada Real 35 (ER 35), reconhecida como das principais no norte do país, o que justificava uma intervenção profunda, não obstante os altos custos que a obra iria acarretar. Teriam pela frente muitos obstáculos físicos, como a sua sinuosidade, grandes relevos do terreno e nalguns casos aturados trabalhos de engenharia, como a construção de pontes para encurtar distância, etc. Mas o reino vivia tempos desafogados. Contrataram-se então empresas e engenheiros de nomeada, e para o troço que abrangia Ruivães, onde uma ponte era indispensável, foi encarregue um construtor de Ávila (Espanha), para dotar a nossa vila com uma ponte espetacular em pedra sobre o rio Saltadouro, que veio substituir uma velhinha feita com traves no local do famoso poço com o mesmo nome, e é aqui que começa a ligação à Senhora da Roca e à sua capelinha.
Como é usual, iniciaram-se os trabalhos pela construção dos pilares um cada margem, sobre os aos quais o “tabuleiro” iria assentar. Porém, quando o tabuleiro iniciado na margem sul se aproximou da margem norte, constatou-se um desvio acentuado. Não coincidia! Desgraça das desgraças! Deu uma síncope ao construtor! Pois não, imaginem o prejuízo que desse erro adviria! Ao fim de algum tempo lá acalmou, estudou uma forma de contornar o erro. Alterou medidas e invocou á santa da sua terra, Santa Teresa de Ávila, que lhe acudisse, prometendo-lhe que se o novo plano resultasse, lhe erigiria uma capela naquelas imediações, E… não é que resultou? Ficou uma marca indelével do erro, lá está visível, e a promessa foi cumprida. Pouco acima da estrada, sobre um precipício encimado por uma grande “rocha”, edificou a capelinha. Estávamos em 1881 (data gravada na ponte). Naquele tempo, a palavra “rocha” escrevia-se e pronunciava-se “roca”.
Então, a imagem de Santa Teresa de Ávila viria a ser conhecida por “Senhora da Roca”, como Roca ainda hoje é conhecido o local. Passaram-se anos, e o povo que “roca” chamava àquele utensílio para fiar o linho e a lã, fez uma união dos nomes e alguém colocou na mão da Santa uma roca dessas, enquanto o pedregulho “roca” passou a chamar-se “rocha”. Mais recentemente, essa e outras imagens foram roubadas, e então se repôs uma outra imagem de uma Santa Teresa (que há várias), e uns lhe chamam “do Menino Jesus” outros simplesmente “Santa Teresa”, e a designação “de Ávila”, perdeu-se no tempo, bem como a homenagem do construtor também.
Enfim!... Não termino sem aludir a uma recitação que meu avô muitas vezes citava: - “Santa Teresa de Jesus, foi ao inferno em vida. Veio de lá admirada, com tanta alma perdida”.
Santa Tersa de Ávila vos proteja.
Manuel Joaquim F. Barros
2026-01-29
Retirado d' O Jornal de Vieira nº 1237 de 1 de Fevereiro de 2026.
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