Publicação em destaque

Dia-a-dia em Ruivães

Retratos do trabalho ao final da tarde na Quintã. São poucas as pessoas que ainda vão tendo ovelhas aqui pelo lugar da Vil...

sábado, 10 de abril de 2021

«Moradores “opõem-se firmemente” à passagem da linha de alta tensão»





A Associação de Preser­va­ção da Identidade da Freguesia de Campos (APIFC), e todos os moradores dos lu­gares de Campos, Lama­lon­­ga e Zebral, detentores do comércio local, casas de turismo, produtores de gado e outras associações locais “opõem-se firmemente à pas­sagem da linha de alta tensão pelo Corredor Norte, na área do Concelho de Vi­eira do Minho”, corredor este que está em fase de discussão pública.
Segundo esta associação, tal oposição deve-se a diversos factos que enumera e considera muito mais expressivos do que os factores que levaram a chumbar o Corredor Sul a ser su­bs­tituído pelo denominado Corredor Norte. Entre eles estão o Turismo e a Agricultura, onde, nos últimos anos, se fizeram “enormes investi­mentos com ajudas de fundos comunitários e ajudas de Estado”.
Em carta enviada ao Mi­nis­tro do Ambiente e da Tran­sição Energética, à Agência Portuguesa do Am­bi­ente e ao presidente do Conselho de Administração da REN, a APIFC, juntamente com os residentes da Uni­ão de freguesias de Rui­vães/Campos, propõem um percurso alternativo e de “me­nor impacto ambiental” ao chamado “Corredor Norte”.
Segundo os subscritores da proposta, há vários argumentos a favor da mudança desta linha de alta tensão. A freguesia de Campos tem duas aldeias classificadas como ALDEIAS DE PORTUGAL: a “Aldeia de Campos”, que foi distinguida com pré­mio de Boas Práticas Locais Para o Desenvolvimento Sus­tentável, atribuído pela Federação Portuguesa de Associações de Desenvolvimento Local.
Entre os investimentos financeiros dos últimos anos naquela aldeia, destacam “a criação do Centro Inter­pre­­ta­­tivo de Campos, e a Re­­qua­­­lificação do seu Patri­mónio (Moinhos, Fornos Co­­munitários e Canastros), Zona da Quebrada (Minas de Vol­frâmio e Represa Fluvial), Ca­sas Particulares, Casas de Turismo, Comércio Local e várias Rotas (Ro­­ta do Pão e do Volfrâ­mio), razões sufi­ci­entes que justificam as pretensões dos seus habitantes”.
Para os habitantes de Cam­­pos, “a linha de alta tensão pode ser desviada para sul, evitando o desbaste do corredor florestal, o trilho pe­destre e a Rota do Vol­frâ­mio” que iria coincidir com o itinerário daquela linha.
Ainda segundo os defen­so­res desta alternativa, “es­tá em fase de preparação uma candidatura para a cons­­­trução do “Passadiço dos Moinhos de Campos”, com início junto à Ponte de Zebral, percorrendo o rio La­ge e os seus 29 moinhos, até à “ponte, submersa”, de Cas­telões. O início deste Pas­sadiço coincide com o cruzamento da linha de alta tensão junto à Ponte de Ze­bral que, certamente, porá em causa a realização do projeto.
Também a paisagem da Ser­ra da Cabreira, uma das principais atrações turísticas, tal como a fixação de pessoas nesta freguesia en­ve­­lhecida, tem de ser pre­ser­­vada. “Com a passagem desta linha de alta tensão esta paisagem irá desaparecer dando lugar a um es­tendal de fios em frente às janelas das nossas casas. Com o aparecimento da pan­demia tem havido procura de investimento e de fixa­ção das pessoas na freguesia pelo esplendor das aldeias e pela paisagem da Serra da Cabreira”, diz o co­mu­nicado.
“A Aldeia de Zebral terá co­­mo cartão de visita, a linha de alta tensão, já que o seu principal acesso irá ser percorrido por esta linha elé­ctri­ca de alta tensão”.
Neste lugar existem vários carvalhos centenários, um deles e o mais emble­má­ti­co levará com esta linha mesmo por cima. Os pro­prie­tários propuseram este Car­valho para Árvore Cen­te­nária Classificada, certamente uma atração turística.
A União das Freguesias de Ruivães e Campos já ex­primiu a vontade de levar à próxima Assembleia de Freguesia a proposta para classificar este Carvalho de Inte­resse Público.
Concluindo, todo o investimento e esforço feito, quer por autarquias, particulares e associações será desva­lo­­ri­zado. Lembramos que foram feitos enormes investimentos com ajudas de fundos comunitários e ajudas do Estado. Futuros projectos serão postos seriamente em causa levando à desistência e ao desin­cen­tivo. Grande parte da sus­ten­­ta­bilidade destes lugares de­ve-se ao turismo e cremos firmemente que este Corredor Norte [a ser levada à prá­tica] será o princípio do fim da decadência”, concluiu o comuni­cado daquela associação, enviado à nossa redacção.

Sem comentários: