As nossas bandeiras 8


 


Frades - 30 Abril 2006.

Ruivães

Com o olhar sobre a Serra da Cabreira, sentada no sopé da montanha que, ficticiamente construo, solto asas à imaginação e deixo-me conduzir por ela.


Neste estado de pensativa errante, uma questão brota, mais pertinente que as demais: falar num lugar é falar das suas gentes!


Numa viagem pelo tempo, recordo a infância, os percursos a fazer para a escola, por caminhos enlameados e cheios de salamandras. Vejo os campos a serem cultivados por diferentes gerações e amigos que da mesma sorte que eu não gozavam, impedidos de irem à escola.


As histórias contadas ao serão pelos mais velhos fazem-me, ainda hoje, viajar por épocas que desconhecia.


Lembro-me, particularmente, da história de Manuel, que não sendo ruivanense de gema, fez desta terra a sua. Fugido da Guerra Civil Espanhola aqui assentou arraiais e fez família. Com contactos em Espanha, sempre que subia aos montes para guardar os rebanhos que por lá se manteriam durante o Inverno, trazia da raia (o que era crime) cordas, sacholas, cordões e outros a quem tais favores lhe suscitava.


Histórias de fome e de vida! Numa altura em que tudo escasseava e nada era de desperdiçar, pagava-se a côngrua e sob o olhar atento da PIDE escamoteavam-se os passos.


E nas horas que se pensavam mortas seguiam pela ponte de Frades (Misarela) ouvindo a melopeia das águas, no encalço de conseguirem trazer para casa um naco a mais.


Bastava querer e sob a suposta bênção divina ou política fazia-se, como refere Bento da Cruz, na obra “Lobo Guerrilheiro”: “Chegou-me há pouco a informação de que, a pedido do Padre Júlio de Ruivães, capelão do Paiva Couceiro, aquando do ataque a Chaves, a quem o Tinente obedece como um podengo, foram destruídos os tanques da povoação de Chelo (…)”


Aldeias como Tourém, Vila da Ponte, Parada e Ruivães acolheram “clandestinamente” elementos da frente que se opunha ao regime franquista, que tantos crimes hediondos perpetrou.


Uma terra de apelidos pouco habituais que nos devem suscitar curiosidade e indagação como: Gil, Bárbara, Malaínho e Fraga entre outros, povoaram a nobre Ruivães, deixando-a hoje num estado de nostalgia. E se por nostalgia entendermos a ânsia de regresso, a saudade de volver a sua áurea, então é nostálgico este fado!


Caída no esquecimento do edil vieirense e recordada apenas pelo matiz eleitoralista. Ponto estratégico, de gentes e costumes ímpares, o edil tem-na votado ao distanciamento temporal. E a torrente enlameada e sufocante da desertificação que impera, suscita de forma Nietzschiana a música dionisíaca de transmutação e transfiguração da realidade, mormente associada à ideia de vitalidade e apelo à afirmação trágica da vida: o de desejar continuar a viver sem falsos moralismos, acatando a dor e o sofrimento. Qual sentimento trágico que imana na totalidade que a vida é!


Milan Kundera uniria indelevelmente a sua voz neste sopro dizendo: “A gigantesca vassoura que transforma, desfigura, apaga paisagens, trabalha há milénios, mas os seus movimentos, outrora lentos, quase imperceptíveis, aceleraram-se tanto….!


 


 


Carla Silva

Sobre "O Mutilado de Ruivães"

Sobre “O Mutilado de Ruivães”



Pediu-me, a minha filha Carla, que tecesse algumas considerações sobre a obra. Que o fizesse sem grandes alegações, de forma simples e resumida.

Não quis deixar de corresponder ao pedido, e aqui estou eu, desprovido de qualquer veia literária a tentar cumprir com as minhas obrigações de pai!...

Aos que lerem este arrazoado peço desculpa, prometendo-lhes que, caso não gostem, não os voltarei a incomodar. 



O que hei-de então eu dizer para além daquilo que os autores da obra disseram na respectiva Nota Prévia, que me atrevo aqui a reproduzir?

“A história das pequenas terras vai ficando esquecida diante de certos fenómenos sócio-económicos, derivados do urbanismo avassalador; apagam-se da lembrança dos homens os feitos dos seus antepassados; olvidam-se os fastos de outrora; morre a gesta da tradição, a prática das virtudes ancestrais, a nobreza dos bons costumes regidos na austeridade de princípios morais ainda hoje indiscutíveis, que foram as pedras com que se construiu a Nação, a fizeram grande e a levaram a expandir-se pelo Mundo. Morreu no coração dos homens a poesia que envolve as coisas belas que o Passado nos legou; secaram-se as fontes que nasciam da alma e corriam límpidas para o mar da fantasia e do sonho, mas que ajudavam a viver.”

A obra, da autoria de Mário Moutinho e A. Sousa e Silva, editada no início da década de oitenta do século passado, presenteia-nos com um romance tipicamente português, escrito na linha do Romantismo que marcou a primeira metade do século XIX, sendo simultaneamente um valioso reportório histórico das invasões francesas às lutas liberais.

É constituída por cinquenta e um capítulos, escritos ao longo trezentas e sessenta e duas páginas, sendo o primeiro um retrato paisagístico da antiga e nobre Vila de Ruivães, onde é evidenciado a sua importância no quadro administrativo e estratégico de Portugal da época, sendo nele destacado o envolvimento activo e participativo das gentes daquela terra na luta contra as invasões Francesas, nomeadamente o massacre a que sujeitaram os franceses na Ponte do Saltadouro, quando estes por ali transitavam nas suas deslocações em coluna militar. Este capítulo é completado com informações histórico-administrativas, sobre alguns monumentos de relevo, vias romanas que atravessavam a região, algumas crenças populares, etc..

Prossegue a obra com um romance … (1)



Deve-se então o título de “O Mutilado de Ruivães” à figura de Manuel Sobral, sendo que é nele que assenta todo o romance e é ao longo do mesmo, na sua participação na luta contra as invasões Francesas, que os autores fizeram várias incursões sobre aquele momento histórico e que muito bem deram a conhecer.

  A todos os naturais da freguesia de Ruivães em particular, e todos aqueles que se interessam e apreciam “a história das pequenas terras” em geral, aconselho uma leitura atenta à referida obra e convido-os a que se criem os movimentos necessários à reposição do valor estratégico e administrativo da antiga e nobre Vila de Ruivães, que foi sede de importante concelho até 1853, sendo uma das vilas mais antigas de Portugal, como cabeça de concelho até 1834 e pertencente à província de Trás-os-Montes.

Aos políticos em particular apelo que reflictam, se empenhem e exerçam a politica de forma desinteressada e eficaz, conduzindo acções governativas que proporcionem condições de vida condigna àqueles que optarem por continuar a dar vida às “muitas e nobres Vilas de Ruivães” espalhadas pelo país e que, tal como a nobre Vila de Ruivães, se encontram desertificadas, para que a Nota Prévia dos autores deixe de ter sentido.

Aos autores, que não conheci, o meu sincero agradecimento pelo que me ensinaram e pelo orgulho que me fizeram sentir como Ruivanense.



Fernando Silva



(1) Tomamos a liberdade de retirar três parágrafos a este texto, para que os que ainda não leram a obra não percam a vontade de o fazer.

 


Está actualizado o sítio do Ruivães Ciclo Club, desta feita com fotografias da participação de quatro "duros" no passeio BTT de Braga realizado no sábado dia 10.


 


 


 


Como neste feriado nacional a Junta de Freguesia não colocou a bandeira nacional no sitio próprio, resolvemos mostrar uma que se encontra à entrada do centro da Vila de Ruivães, não porque hoje é feriado mas em sinal de apoio a nossa Selecção A de futebol que está na Alemanha a participar no Mundial 2006.


 


A propósito dessa participação, achamos que seria interessante colocar aqui fotos com as bandeiras colocadas às janelas dos Ruivanenses que estão espalhados por esse mundo fora, mas para tal precisamos do vosso contributo.


 


Hoje, Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas, enfim, dia de todos nós Ruivanenses, oriundos desta Vila encravada entre as serras da Cabreira e do Gerês, dizemos:


 


VIVA RUIVÃES, VIVA PORTUGAL!!!


 


E venham de lá essas fotos.