Festejos



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Os festejos dos adeptos do Benfica pela conquista do campeonato nacional de futebol, decorreram com normalidade. Assim como um pouco por todo o mundo, também os Benfiquistas Ruivanenses quiseram mostrar a sua alegria por esta conquista, onze anos depois. As nossas sinceras desculpas, mas só agora é que foi possível recolher estas fotos dos festejos; mas lá está, mais vale tarde do que nunca.




Reviver o passado em Ruivães

Cont. da últ. edição


Foram anos para me readaptar e consolidar a minha vida, quer a nível profissional, quer psicológico, pois a ausência forçada destruiu todos os meus planos de futuro.


Chegada a hora de constituir família, o meu ideal e tendo Ruivães sempre na mente, era unir o meu destino a uma conterrânea, o que parecia difícil, pois passou tanto tempo, e as moças casadoiras da minha geração tinham dono, agravando o facto de agora ser quase um estranho na aldeia, passados que estavam tantos anos desde que de lá saí.


Quis o destino, porém, que a comunidade residente na capital organizasse uma excursão pela Páscoa à terra, na qual me integrei e nela conhecesse a que veio a ser a mulher da minha vida, com quem partilho os bons e os maus momentos há mais de trinta anos.


A “casita” que minha mãe possuía vagou entretanto, e feitas obras proporcionou-me a possibilidade de voltar enfim, a Ruivães, sempre que quisesse.


E volto todos os anos, cheio de saudade como da primeira vez que lá fui após ter partido.


 


****


 


Sempre que volto a Ruivães, o intuito é passar uns dias de férias para retemperar forças que o corpo vai requerer em mais um ano de trabalho até novas férias.


Mas o espírito, esse sofre, fica abalado e mais carregado por tudo que essa aldeia me traz à memória. Não de mágoa ou más recordações, mas urna vontade férrea de que o tempo voltasse para trás de forma a eu passar pelo mesmo, reviver tudo de bom que vivi em Ruivães.


Mal chego, na primeira oportunidade que tenho palmilho os caminhos que me levam ao local favorito para as minhas divagações, una elevação rochosa com um panorama espectacular, onde o silêncio impera, o que me permite absorver nos meus pensamentos.


Há quem lhe chame o “Cemitério Antigo”, mas “São Cristóvão” foi como sempre lhe ouvi chamar, e é ali que me sinta Senhor do Mundo.


Sento-me na maior formação rochosa que já vi, um penedo gigante, olho em redor e pergunto a mim mesmo se há sitio mais lindo que aquele. À minha direita, vislumbro a mais inóspita parte da serra do Gerês, montes agrestes de aspecto vulcânico, onde duvido que alguma vez o homem ali tenha estado. Observo com os binóculos, e vejo ravinas inacessíveis, ausência de vegetação, só penedos onde por certo nem as aves procuram abrigo, porque a paisagem é desoladora medonha mesmo. Essa, é ideia que transmite ao comum dos mortais.


 


Manuel Joaquim F. Barros


(Continua)


 


 


 


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Reviver o passado em Ruivães

Cont. da últ. edição



 





 

Não, Ruivães já não era o mesmo! Mas apesar de tudo. Seria sempre minha aldeia, por quem derramei lágrimas na hora em que a deixei. Que mudem as casas, os campos, as pessoas, esse torrão apegado à Cabreira, será sempre a minha terra, e nada mudará o meu sentimento por ela..



 

Foi apenas uma semana que ali passei, num regresso tão desejado, e na hora da partida não chorei como da primeira vez, mas não deixaram de me humedecer os olhos enquanto no meu íntimo pensava: e agora, quando voltarei?



 

Com a tropa à porta, quem diz tropa diz Ultramar – cruel destino a que os jovens dessa geração de sessenta não podiam fugir – quantos anos iriam passar mais até que ali voltasse?



 

Por capricho do destino, voltei bem mais depressa do que julgava. Pouco depois, estava precisamente na tropa, e mobilizado para o Ultramar, voltei a Ruivães para o funeral de meu avô, o ‘Tio João Latoeiro”.



 

Então, sim desta vez é que tinha certeza que iria levar tempo até voltar, pois com a morte do meu avô desapareceu o último elo familiar em Ruivães.



 

Agora vazia, a velha casa onde meu avô criou sete filhos, era o último elemento que ligava o que foi uma grande família a Ruivães. Para agravar esta situação, inesperadamente, uma falcatrua bem montada retirou aos legítimos herdeiros o direito à casa, que foi parar às mãos de uma enteada de meu avô, que mal um dos senhores de capital do burgo lhe abanou com algumas “milenas” logo a despachou.



 

Mas que raio! Tudo se conjugava para que Ruivães, a aldeia do meu coração, a minha terra, fosse no futuro um fruto proibido. Como iria ali voltar? Fazendo turismo?



 

Apertava-se-me o coração sempre que pensava nisso. Porém, minha mãe que ali enviuvara, havia comprado uma casita que entretanto alugou no regresso capital para refazer a sua vida.



 

Era uma réstia de esperança para mais tarde ali voltar.



 

Passaram-se mais alguns anos, o destino entretanto empurrou-me para os confins, até Timor donde voltei adulto e pronto para enfrentar as agruras do destino.



 

Manuel Joaquim F. Barros



 

(Continua)



 





 

in Jornal de Vieira nº 764 de 1 de Junho de 2005