quarta-feira, 19 de novembro de 2014

«A divisão das águas»


A utilização das águas serranas para a irrigação dos campos e o fornecimento energético nas azenhas desempenhou sempre um papel relevante na montanha minhota. A cada comunidade pertenciam uma ou várias bacias de recepção de ribeiras, que sustentavam um sistema comunitário de rega, em pleno funcionamento durante o Verão. As águas das ribeiras e numerosas fontes da serra eram divididas pelos vizinhos, conforme a área de cultivo possuída por cada proprietário ou unidade de exploração.
Este sistema vigorava na Serra da Cabreira e ainda se mantém na maior parte das freguesias serranas. Mas é sobretudo na freguesia de Ruivães que a divisão das águas entre comunidades levantava mais problemas, já que os baldios são repartidos entre várias aldeias, situadas a altitudes diferentes.
Pode observar-se nas figuras 31A e 31B que os campos cultivados em Ruivães-Quintã, Vale e Botica, têm uma posição desfavorável para usufruição das águas dos seus montes. A área baldia de Ruivães, localizada a Noroeste do actual perímetro florestal até à Serradela, possui apenas pequenas ribeiras com caudal insuficiente para a irrigação estival. As águas eram também captadas na parte oriental da freguesia, onde, no início do século XIX, havia uma levada. Mas esta levada foi contestada por Campos, porque as águas que a alimentavam vinham das ribeiras do seu logradouro. Durante o reinado de D. Maria II, foi resolvida a questão das águas em tribunal, e Ruivães passou a comemorar o acontecimento por uma festa anual. Apesar de não ser muito remota, a comemoração mostra a importância do sistema da divisão das águas. A tradição oral que se segue foi-nos contada por vários inquiridos, mas não foi possível averiguar com mais pormenores a data exacta dos acontecimentos.
Os lugares de Linharelhos e Lamalonga da freguesia de Campos revindicaram para o seu próprio uso as águas dos regos que eram captadas para a levada de Ruivães. Logo se repara nas figuras 31 que, para Ruivães, esta revindicação ameaçava a rega dos seus campos. Além do mais, os vizinhos não tinham o direito de utilizar as águas dos afluentes mais importantes da margem esquerda do Rio da Lage, pertencentes a Espindo e Zebral. No tempo de D. Maria II, as contendas entre vizinhos de Ruivães e de Campos foram para tribunal, que deliberou a favor dos primeiros. A tradição diz que os povos de Ruivães traziam sempre uma imagem de S. Bartolomeu escondida num cesto, quando assistiam às sessões judiciárias. Logo a seguir ao processo, o santo tornou-se padroeiro da levada, por Ruivães e os outros lugares continuarem a gozar das águas da parte oriental da serra.
A Comissão da levada do Poço Longo - ou Comissão de S. Bartolomeu -promove ainda todos os anos uma festa no dia 24 de Agosto, em que se comemora este santo, "com sermão e missa cantada". Também neste dia é "leiloada" a água, no intuito de se arranjarem fundos para a conservação da levada. Outra função essencial da Comissão consiste em marcar o "Dia do Pardinho", durante o qual os compartes, "de sachola e de farnel", vão até ao Rebolar e à Senhora dos Aflitos, situados na bacia de recepção da Ribeira de Lamas que, a latitude da Chã de Coelhos, passa a ser o Rio da Lage. Todos os regos são então canalizados para a levada, já que estas águas lhes pertencem por ordem do tribunal.
A fixação deste dia não é rígida, mas depende das condições climáticas do fim da Primavera. O costume diz que as águas são de Ruivães, da S. João (24 de Junho) a S. Miguel (29 de Setembro). Nos finais deste mês, as primeiras chuvas, aumentando o débito das águas, destroem todas as canalizações artificiais feita no "Dia do Pardinho", retomando as águas o seu curso natural e voltando a serem utilizadas por Campos. Contudo, se o Verão estiver muito seco, Campos e Ruivães encontram sempre medidas de conciliação, tal como aconteceu em 1985 em que, depois de Agosto, as águas foram para os lameiros de Lamalonga (Campos)


NICOLE DEVY-VARETA

A FLORESTA NO ESPAÇO E NO TEMPO EM PORTUGAL: A arborização da Serra da Cabreira (1919-1975)

Dissertação de Doutoramento em Geografia Humana apresentada à Faculdade de Letras da Universidade do Porto

PORTO

1993






(carregar nas imagens para melhor visualização)


Árvore




Perto da Ponte da Mua

Festas de Ruivães 2014: Alvoradas da Cabreira





Em Meães, actual Avenida de Santo Amaro.

Festas de Ruivães 2014 (tarde) | Instagram




sábado, 15 de novembro de 2014

s/t




Perto de Zebral.

A história


Mais do que nunca sinto hoje necessidade de falar de ti e para ti Ruivães, de tocar as tuas gentes… Cada vez mais deserta e esquecida, vais desaparecendo sem que ninguém te erga, edifique, conte a tua história, faça de ti grande. Apenas alguns, como eu, que nasceram do teu “ventre” tentam fazer ouvir a tua voz. Alegra-me saber que ainda existe gente que te quer e ama e não te abraça mais porque a vida obriga a deixar-te em segundo plano. Fico tocada sempre que vejo que há alguém, como o presidente da junta de freguesia que pretende ver-te crescer, lutar contra a desertificação, mas infelizmente não tem meios. Sem ajudas não é possível caminhar. O cheiro da terra molhada, o doce sabor das lareiras acesas, a verdura extasiante das tuas paisagens, a simpatia, honestidade e verdade das tuas gentes. O acolhimento, a tua história e as tuas lendas. Os nomes raros de alguns dos habitantes, próprios e sobrenomes, têm muito de nobre e tão pouco estudado. Onde já se viu uma terra com tantos nomes históricos como “Romano”; Bárbara”; “Pereira”; “Gil”; “Silva”; “Fraga”, entre outros? São inúmeros os nomes que parecem fazer uma ligação ao judaísmo… e seria tão interessante ver um estudo sobre esta vertente! Muito do que se tem feito por Ruivães parte exclusivamente da vontade dos seus populares. A força e o orgulho de ser Ruivanense é, honrosamente, brilhante. É graças à população que hoje temos um quartel de Bombeiros na freguesia, que a escola e o infantário permanecem abertos, que a aldeia vai sendo divulgada ora pela escrita, ora pelos convites a amigos. É graças a esta boa gente que se vai sabendo que Ruivães, a Ponte da Misarela, o Pelourinho, a Casa de Dentro, a Ponte de Vale, entre outros, estão situados em Ruivães, Vieira do Minho e não no Gerês, como anunciam os panfletos distribuídos aos turistas. Este Verão fiz-me acompanhar de alguns colegas nas minhas férias em Vale, nos passeios habituais pelos recantos mais belos da aldeia e da freguesia, encontrámos um casal de ingleses. Numa conversa nada formal, verificámos um profundo reconhecimento e admiração pelo lugar. Mas também indignação pelo facto de existirem muito poucas indicações dos lugares a visitar. Algo confusos porque a indicação dada era de que esta terra fazia parte do Gerês, vimo-nos na obrigação de lhes explicar a história verdadeira desta terra. Um dos colegas que me acompanhava e não sendo daqui natural respondeu-lhes do seguinte modo: há belezas neste país que aos governantes nada dizem, porque daqui partem poucos votos, há pouca população activa e a riqueza económica destas regiões é insignificante. Mas acima de tudo parece haver uma clara falta de conhecimento histórica. Esquecem-se que no mundo há uma variedade de cores maior do que as partidárias. Ao sr. Presidente de Câmara gostaria de colocar algumas questões, mas acima de tudo uma: porque não tentar chamar o investimento para esta região, porque não seguir o exemplo de outras presidenciais de Câmara que lutam pelo bem dos seus. Veja-se o exemplo da Câmara Municipal de Ponte da Barca que lutou e conseguiu criar um parque industrial na Gemieira, uma aldeia pequena e tem hoje a “Cobra” como uma das maiores empresas empreendedoras. Era para nós essencial seguir o exemplo. Não poderia terminar este “desabafo” sem prestar uma justa homenagem a quem todos os dias luta contra o esquecimento desta “vila”, de alguma forma, de que são exemplo alguns nomes como: Zé (cabeleireiro) - que me conhece bem; ao Sr. Azeitono - amigo de longa data do meu pai; Sr. João - presidente da junta de Ruivães; ao meu falecido avô Amadeu Alves que muito fez por esta terra; Ermelinda Silva que faz ouvir a sua voz; ao meu pai Fernando Silva que reivindica o direito que esta terra tem no mapa. Muitos foram quase tudo e não foram nada. Outros chegaram perto do sonho mas o quase permanecia inalterável. Alguns tinham vontade e a vontade levou-os a alcançar o maior bem, o de ver alguma obra. Permaneça a vontade e vencer tornar-se-á mais fácil. A todos que como eu fazem ouvir a tua voz Ruivães, o meu muito obrigado!


Carla Fernanda Alves da Silva




Retirado d' O Jornal de Vieira nº 751 de 15 de Novembro de 2004

Serradela - Placas | Instagram


O "Guilherme das Casulas"




(carregar na imagem para ver em tamanho maior)


Retirado d' O Jornal de Vieira nº 980 de 15 de Novembro de 2014.


quarta-feira, 12 de novembro de 2014

Memórias Paroquiais de 1758












Ruivães nas Memórias Paroquiais de 1758


RUIVÃES, BRAGANÇA

NÍVEL DE DESCRIÇÃO
Documento simples Documento simples
CÓDIGO DE REFERÊNCIA
PT/TT/MPRQ/32/175
TIPO DE TÍTULO
Formal
DATAS DE PRODUÇÃO
1758 A data é certa a 1758 A data é certa
DIMENSÃO E SUPORTE
7 p.
COTA ATUAL
Memórias paroquiais, vol. 32, nº 175, p. 1061 a 1067
NOTAS
Última página em branco.

Retirado daqui: http://digitarq.dgarq.gov.pt/details?id=4241535

Ruivães nas Memórias Paroquiais de 1758

"DICIONÁRIO GEOGRÁFICO DE PORTUGAL, TOMO 32, R 2"

NÍVEL DE DESCRIÇÃO
Unidade de instalação Unidade de instalação
CÓDIGO DE REFERÊNCIA
PT/TT/MPRQ/32
TIPO DE TÍTULO
Atribuído
DATAS DE PRODUÇÃO
1758 A data é certa a 1758 A data é certa
DIMENSÃO E SUPORTE
1 vol. (543 p.)
SISTEMA DE ORGANIZAÇÃO
As memórias estão numeradas de 92 a 180. As páginas estão numeradas de 547 a 1089.
COTA ATUAL
Memórias paroquiais, vol. 32
TIPO U.I.
Outro
EXISTÊNCIA E LOCALIZAÇÃO DE CÓPIAS
Cópia microfilmada. Portugal, Torre do Tombo, mf. 750

Retirado daqui: http://digitarq.dgarq.gov.pt/details?id=4241449