sábado, 23 de julho de 2016

Horta em Santo Amaro




Arremate de São Tiago - 24 de Julho

A Comissão da Água da Levada do Poço de Rio Longo informa que o Arremate da Água previsto para amanhã, para a rega de segunda-feira, dia de São Tiago, 25 de Julho, fica sem efeito, por motivos de trabalhos a realizar na levada junto à Ponte de Zebral.
Assim, durante todo o dia de segunda-feira não haverá rega.
Gratos pela compreensão.

Rua da Corneda




quarta-feira, 20 de julho de 2016

Fim de trabalho




Domingo passado.

Largo da Vila à noite (panorâmica)



(carregar na fotografia para melhor visualização)

«A festa da Aldeia!»




Retirado d' O Jornal de Vieira nº 1019 de 15 de Julho de 2016.

Transporte




Vídeo gravado na Devesa numa tarde do início deste mês de Julho. (ligar o som!)

«A ponte da fertilidade... e do diabo»




MISARELA A 'ponte do diabo' que separa Trás-os-Montes do Minho
JOÃO PAULO GALACHO

João Paulo Galacho relata uma viagem por terras do Barroso, à procura de Senhorinhas e de Gervásios que devem a existência à ponte da Misarela

A ponte de Misarela não se esquece. Está num lugar mágico, do qual me enamorei logo na primeira vez em que lá estive. Construída no cavado vale do rio Rabagão, entre penedos e vegetação exuberante, é uma velha resistente de guerras, de enxurradas do rio, e do peso das muitas pessoas e carroças que a atravessaram.
É uma obra ousada. Pode até parecer frágil — os mais temerosos vão talvez hesitar contemplar o rio do seu tabuleiro — mas, na sua presença, todos percebemos o porquê de também ser conhecida como a 'ponte do diabo'. Parece mesmo obra do demónio.
De origem medieval, reconstruída no início do século XIX, deixou ao longo dos tempos um rasto de lendas que chegaram aos nossos dias. Os dois mitos mais conhecidos falam-nos um do diabo e de um fugitivo à justiça, e o outro atribui à ponte, e às águas do Rabagão, propriedades miraculosas que viabilizam bebés ainda na barriga das mães.

 DIABO, POIS CLARO

A fábula do diabo resume-se assim: um fugitivo, com a autoridade no encalço, depara-se com o intransponível rio. Encurralado, evoca o diabo para o ajudar a atravessar, e em troca oferece-lhe a alma. O demo aceita de imediato o pacto e do nada faz aparecer uma ponte de pedra, que o fugitivo atravessa, mas que logo depois rui com estrondo, impossibilitando os perseguidores de passar.
Mais tarde, o homem arrepende-se de ter vendido a alma ao diabo e procura um padre para o ajudar. O sacerdote, engenhoso, dirige-se ao local onde o fugitivo atravessara o rio, evoca também o mafarrico, promete-lhe a alma, e a ponte reaparece. Nesse momento o padre retira uma caldeirinha de água benta, que trazia escondida nas vestes, asperge a ponte e recita a ladainha dos exorcismos. O diabo foge espavorido, deixando intacta a ponte que ainda hoje lá está.
É uma lenda que os pais contam aos filhos, e que quanto muito estará na origem de um sono mais agitado dos petizes, com pesadelos onde o diabo e o salteador os amedrontam. E não descortino mais consequências práticas desta história na vida das pessoas.

A LENDA MATERIALIZADA

Já a lenda da ponte do Salvador teve efeitos bem concretos na vida de muitas famílias, aumentadas com o nascimento de muitas Senhorinhas e Gervásios.
Este mito aconselha as mulheres com um historial de vários abortos, e que queiram levar uma nova gravidez até ao fim, a dirigir-se à ponte da Misarela. Aí chegadas, devem esperar que alguma pessoa a atravesse para lhes batizar o bebé ainda na barriga. Esse padrinho/madrinha deve recolher um púcaro de água do Rabagão, e derramá-lo sobre a barriga da grávida enquanto diz as palavras sacramentais: “Eu te batizo, criatura de Deus, pelo poder de Deus e da Virgem Maria. Se fores rapaz serás Gervaz, se fores rapariga, serás Senhorinha.”

QUEM NÃO TEM MÉDICO...

Nesta recôndita zona de Portugal, só com a construção das barragens do Alto Cávado e do Alto Rabagão, há pouco mais de 50 anos, começaram a aparecer estradas dignas desse nome. Antes disso, estas pessoas das serras do Barroso e do Larouco, demoravam horas, quando não dias, para chegar a um médico. Não tinham outro remédio senão recorrerem à sabedoria dos antigos, conhecedores das propriedades curativas de certas ervas, mas que também 'receitavam' rituais para alguns males. E para o mal de não conseguir levar uma gravidez avante, a Misarela era a solução.
Até alguns padres locais, conhecedores das duras condições de vida daquela gente, e da necessidade de muitos braços para amanhar aquelas terras de montanha, aconselhavam as mulheres grávidas a irem à Misarela. Senhorinha Moura, batizada na ponte, recorda: “A senhora minha mãe era muito religiosa e o padre Carvalheira, ali de Viade, sabedor da sua aflição por não conseguir vingar os filhos, convenceu-a a ir à Misarela. E olhe que depois até meu padrinho foi, lá na igreja.”
Senhorinha Moura — a sua mãe foi grávida à ponte da Misarela
JOÃO PAULO GALACHO

O PADRE DISTO TUDO
O padre António Fontes, nascido em 1940, na aldeia barrosã de Cambezes do Rio, é conhecido pelos Congressos de Medicina Popular que organiza desde 1983 em Vilar de Perdizes. Numa entrevista ao “Diário de Trás os Montes”, em setembro de 2002, explicava estas questões: “Eu não acredito em bruxas, nem em feitiços, nem sequer no diabo. Não se pode ser padre numa região cheia de miséria e injustiça, e ficar a olhar para o lado... as gentes do Barroso nunca abandonaram o seu paganismo fundamental pois era ele que lhes dava curas, mezinhas, vida comunitária e assistência na desgraça... Aqui em Vilar de Perdizes há médico duas vezes por semana. Dizem as pessoas que não é para todas as doenças. Há males que não são do médico.”

O padre Fontes é um confesso entusiasta das lendas da Misarela — não fosse ele neto de uma Senhorinha. E partiu dele a iniciativa de promover um encontro de Senhorinhas e Gervásios, em dezembro de 1993: “Corri as aldeias todas aqui em redor à procura desta gente batizada na ponte. Compareceram perto de trinta. Havia também um grupo de cantadores ao desafio que fizeram das lendas da Misarela o mote dos seus despiques. Foi uma iniciativa muito bem recebida e o facto é que, ainda hoje, a Junta de Freguesia de Ferral organiza uma festa evocativa destas lendas.”

A FESTA DA MISARELA

Francisco Martins mora a umas dezenas de metros da ponte, em Sidrós, e é uma espécie de zelador — juntamente com José Miranda Alves, ex-presidente da Junta de Freguesia de Ferral — da Misarela e das suas lendas. Estes dois homens não deixaram morrer a iniciativa do padre Fontes, e de ano para ano têm conseguido aumentar o número de pessoas que no primeiro sábado de julho se deslocam à Misarela.
“Quando começámos nós a organizar esta celebração ainda havia escola em Sidrós. E era com esses alunos que ao longo do ano ensaiávamos uma peça de teatro. Hoje em dia a escola encerrou e temos de contratar um grupo de teatro. Damos-lhe um guião com as duas lendas, eles desenvolvem o texto, e com a nossa ajuda logística representam a peça à noite na ponte.”
E já com um brilhozinho maroto nos olhos, Francisco Martins continua: “O ponto alto é sempre quando o diabo aparece no meio dos penedos, por entre fumo e luzes vermelhas, com um som aterrador. Havia de ver no ano passado. Até os mais velhos se agarravam uns aos outros quando o mafarrico desatou a correr por entre as pessoas. As pessoas assustam-se a valer mas adoram. Escreva lá esta história no jornal e diga aos leitores para virem cá este ano à nossa festa. Vai ver que vão gostar.” Fica o convite.
Mas para o Francisco a Misarela não é só festa, é muito mais. “A ponte de Misarela não deve ser conhecida apenas pela sua lenda nem por ser um sítio de beleza admirável ou simples cartaz turístico. É um local histórico que nos honra como povo amante da liberdade e cioso do seu sagrado chão.”

ATÉ DA UCRÂNIA...

A ponte de Misarela marca a fronteira entre Trás-os-Montes e o Minho, Vila Real e Braga, Montalegre e Vieira do Minho, Ferral e Ruivães, Sidrós e Frades. Até na localização Misarela é dual. E claro que as províncias, distritos, concelhos, freguesias e lugares que a ponte separa, a acham mais propriedade delas do que do vizinho. Mas na realidade, ela é de todos.
Sílvia Freitas, proprietária de um restaurante em Sidrós, resume numa memória a história da fé na ponte: “Estava uma noite de temporal terrível, eu estava à lareira, e qual não é o meu espanto quando vejo entrar porta dentro um casal todo encharcado. Eram ucranianos, trabalhavam nas estufas da Costa Vicentina, mal falavam português, e vinham da ponte da Misarela onde estiveram tempos sem fim à espera de um passante. A senhora já tinha tido vários abortos, estava de novo grávida, ouviram falar da lenda, e aqui estavam eles, cheios de esperança de conseguirem vingar o filho. Lembro-me tão bem deles. Até da camisola da senhora, imagine. Era de gola alta e cor de rosa...”
E não provará esta história que a Misarela é de todos os que acreditam nela?

Artigo publicado no jornal Expresso e disponível aqui
http://expresso.sapo.pt/sociedade/2016-07-17-A-ponte-da-fertilidade.-e-do-diabo

segunda-feira, 18 de julho de 2016

Noites de sueca

Final da tarde

Reforço de Potência Venda Nova III: Vizinhos queixam-se de prejuízos com as obras da Barragem








A poucos dias da inauguração da obra de Reforço de Potência da Barragem de Venda Nova III, alguns moradores da freguesia de Ruivães queixam-se de prejuízos vários sofridos em consequência do curso das obras daquele empreendimento ao longo de vários anos.
Segundo testemunhas ouvidas por JV no local, as populações, ao longo de quase uma década, nunca foram ouvidas e alertadas dos impactos ambientais, “invasão e destruição” de montes e paisagens, passagens de linhas aéreas de alta, muito alta e média tensão, que debitam elevados campos magnéticos, enquadramento legal dos empreendimentos em áreas de reserva ecológica e ambiental…
Isto, apesar do Projecto de Execução do Empreendimento ter necessáriamente o parecer favorável da Comissão de Avaliação do Impacte Ambiental (AIA) e da EIA-Estudo de Impacte Ambiental que aprovou o projecto, bem como o respeito pelos resultados da Consulta Pública às populações que tiveram um tempo útil de se pronunciarem.
“Se de início a REN respeitou e indemnizou alguns proprietários pelos prejuízos causados nas suas casas em consequência de uso de explosivos e detonadores na abertura de túneis nas montanhas e circulação de veículos pesados, ultimamente as empresas que operam no terreno tratam-nos “como cães”, referiu o ruivanense João Magalhães que trabalhava no empreendimento, mas foi despedido, há mais de um ano, por ter dado uma entrevista a um jornal. Tem a sua casa à margem da estrada que dá acesso à subestação de Frades. Já gastou mais de cinco mil euros para arranjar a fachada sul da sua residência que continua com frissuras nas paredes devido à detonação de explosivos nas imediações e passagem de máquinas e camiões à sua porta.
A vistoria dos agentes de seguros comprovaram a origem dos prejuízos e a REN pagou de imediato os orçamentos das reparações que apresentei nos anos de 2007/8. Tive de revestir a casa de “capoto” e substituir a tijoleira da varanda, mas as humidades continuam a infiltrar-se na casa”, como pudemos comprovar.
Também a Sra. Emília, moradora na Avenida de S. Martinho lamenta os prejuízos que o empreendimento de Reforço de Potência da Barragem de Venda Nova III lhe tem causado nos últimos anos. “Tem sido uma dor de cabeça. Investimos aqui as nossas poupanças, construímos as nossas casas e agora cobriram-nas com linhas eléctricas. Os terrenos foram desvalorizados, já ninguém quer viver nestes locais”, referiu a proprietária, enquanto nos mostrava as infiltrações da sua moradia.
Ninguém foi tido nem ouvido no início das obras. “Agora já tivemos reuniões com os advogados.
Embora o sr. presidente da Câmara Municipal tenha tentado ajudar a resolver os problemas, nós, propriamente, nem junta de freguesia temos. Já lho dissemos “na cara” e a Junta respondeu que não tem nada a ver com o assunto”, referiram os entrevistados ao JV.

Recorde-se...
As obras de construção civil do reforço de potência da Venda Nova III compreenderam a construção do circuito hidráulico, das cavernas da central, que incluem a câmara dos grupos e a câmara dos transformadores, do edifício de apoio e posto de corte e seccionamento e, ainda, a execução dos túneis de acesso às frentes de obra.
As obras foram essencialmente subterrâneas, mas foi necessário construir algumas à superfície, de carácter temporário, como o estaleiro, depósito temporário, as ensecadeiras para a construção da tomada de água e restituição.
O EIA (Estudo de Impacte Ambiental) considerou que a área de estudo apresenta predominantemente uma paisagem de média a elevada qualidade visual, salienta no entanto a forte intrusão visual devida à presença de elementos estranhos à paisagem, nomeadamente a subestação de Frades, o Parque Eólico da Serra da Cabreira, e também várias edificações/construções.
A fase de construção irá provocar impactes negativos decorrentes das diversas acções necessárias à execução das várias infra-estruturas do projecto, nomeadamente: Tomada de água e restituição; Túnel de saída de energia e construção, posto de corte e edifício de comando; Chaminé de equilíbrio superior; Estaleiros e Escombreiras; 
2016-07-13

Gado




Travessa Poça do Chamil (Frades)