A Via XVII era uma das
principais vias romanas que partiam de Bracara Augusta, estando
documentada no Itinerário de Antonino. Tinha início no lado
nascente da cidade romana e assegurava a ligação a Asturica
Augusta (Astorga), passando por Aquae Flaviae (Chaves). A sua
importância estratégica e funcional é sublinhada pelo facto de integrar a rede
viária principal que articulava Braga com o interior da Hispânia.
O traçado desta via na
periferia imediata da cidade pôde ser parcialmente comprovado através de dados
arqueológicos, em particular pelas escavações realizadas no antigo edifício
dos CTT, que permitiram confirmar o local onde a via se ligava a uma das portas
da muralha romana tardia. Os autores defendem que o seu percurso se
encontra fossilizado em artérias atuais, nomeadamente na Rua
do Raio e em troços que estruturaram o crescimento urbano posterior.
Nas margens da Via XVII
localizavam-se necrópoles romanas, como era habitual, bem como
outros elementos suburbanos, reforçando o seu papel como eixo de saída e
entrada da cidade. Já na Antiguidade Tardia e na Alta Idade Média, este
corredor viário continuou a ser estruturante, servindo de suporte à instalação de basílicas
paleocristãs e de aglomerados populacionais, em particular
o núcleo de São Vítor, que se desenvolveu precisamente ao longo
desta via.
Durante a Idade Média, a
Via XVII perdeu a sua função estritamente romana, mas manteve-se como caminho
periférico fundamental, orientando o crescimento extramuros da cidade. O
seu traçado deu origem a ruas medievais e modernas, sendo destacada a
continuidade entre a antiga via romana e a rua que liga a cidade à
Igreja de São Vítor, mais tarde integrada no tecido urbano com a expansão
da muralha e, posteriormente, com a abertura de rossios e campos na Época
Moderna.
Na Idade Moderna e
Contemporânea, a antiga Via XVII corresponde, em grande medida, ao eixo formado
pela calçada e campo da Senhora-a-Branca, rua da Régua e atual rua de
São Vítor. O documento sublinha que a morfologia do parcelamento ao
longo deste eixo — parcelas estreitas e profundas, edificadas junto à rua e com
quintais extensos — denuncia claramente a sua origem como caminho antigo
progressivamente urbanizado.
Em conclusão, a Via XVII é
apresentada como um exemplo paradigmático da persistência morfológica das
vias romanas em Braga: um eixo que, desde a época romana, condicionou a
localização de necrópoles, núcleos religiosos, paróquias suburbanas e, mais
tarde, ruas urbanas, mantendo-se como elemento estruturante do crescimento
periférico da cidade até à atualidade.
Retirado de "O papel
das vias romanas na formação e desenvolvimento periférico da cidade de Braga,
desde a época romana até à atualidade." - Maria do Carmo
Ribeiro, Manuela Martins







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