terça-feira, 17 de fevereiro de 2026

Misarela: a ponte que uniu Minho e Barroso contra Napoleão volta a ligar Vieira do Minho e Montalegre

A Ponte da Misarela, espaço de forte simbolismo histórico situado na fronteira entre os concelhos de Vieira do Minho e Montalegre, está a assumir-se como o eixo central de uma nova estratégia conjunta de valorização patrimonial e turística, integrada nos Itinerários Napoleónicos. O projeto, desenvolvido em parceria pelas duas autarquias, pretende recuperar e projetar a nível nacional um dos episódios mais marcantes das Invasões Francesas em Portugal, reforçando simultaneamente a cooperação institucional entre o Minho e o Barroso.
Para o presidente da Câmara Municipal de Vieira do Minho, Filipe de Oliveira, a Ponte da Misarela representa um território de ligação, não apenas física, mas também histórica e institucional, entre os dois concelhos. O autarca sublinha que o trabalho conjunto entre Vieira do Minho e Montalegre é essencial para a concretização de projetos estruturantes, assentes numa lógica de complementaridade e valorização do património comum.
Nesse sentido, encontra-se já em fase de preparação uma candidatura conjunta centrada na valorização da Ponte da Misarela enquanto local histórico associado às Invasões Napoleónicas. De acordo com Filipe Oliveira, trata-se de um espaço que une geograficamente os dois territórios, mas que encerra igualmente um forte significado simbólico, por ter sido palco de confrontos durante a passagem das tropas francesas por Portugal.
A iniciativa enquadra-se na estratégia dos Itinerários Napoleónicos, cujo objetivo passa por valorizar o património histórico-militar associado às Invasões Francesas, qualificar a experiência turística e criar percursos interpretativos que permitam compreender o impacto destes acontecimentos na história nacional. A ambição dos dois municípios é conferir ao projeto uma dimensão nacional, posicionando a Ponte da Misarela como um ponto de referência na narrativa das Invasões Francesas em Portugal.
O presidente da Câmara de Vieira do Minho reconheceu que, nos últimos anos, o potencial turístico e histórico da Misarela não foi plenamente aproveitado, assumindo a necessidade de corrigir opções do passado. Filipe Oliveira manifestou a vontade de reforçar a presença institucional no território e de investir na valorização deste património comum, considerando que a Ponte da Misarela pode desempenhar um papel determinante no aprofundamento das relações entre os dois concelhos.
Segundo o autarca, o reforço da parceria com Montalegre insere-se numa estratégia de cooperação territorial sustentada, assente em afinidades históricas, culturais e geográficas. Esta proximidade, defende, cria condições favoráveis ao desenvolvimento de projetos conjuntos capazes de gerar benefícios concretos para as comunidades locais e de potenciar o valor do território.
No âmbito desta cooperação, já no próximo mês, as câmaras municipais de Vieira do Minho e Montalegre irão trabalhar em conjunto na organização de um evento de recriação histórica, evocando a batalha ocorrida na Ponte da Misarela durante as Invasões Francesas. A iniciativa pretende envolver a comunidade local e atrair visitantes, assumindo-se como um elemento estruturante da candidatura a apresentar ao Turismo do Porto e Norte de Portugal.
Para além da recriação histórica, o projeto contempla a valorização do património material e imaterial associado à Ponte da Misarela, incluindo a sua envolvente paisagística, as lendas populares e o enquadramento histórico-militar, potenciando novas dinâmicas turísticas e culturais. A aposta passa por transformar este local emblemático num espaço de interpretação histórica e de fruição turística qualificada.
Com uma paisagem natural de grande impacto e um legado histórico singular, a Ponte da Misarela afirma-se, assim, como património comum de Vieira do Minho e Montalegre e como um futuro motor de desenvolvimento turístico, cultural e económico. Através do reforço da parceria institucional e da integração nos Itinerários Napoleónicos, os dois municípios pretendem valorizar o passado, dinamizar o presente e projetar o território para o futuro.

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