“Esta designação porque sempre foi conhecida esta santinha que é a par de outros santos padroeira de Ruivães, está envolvida por uma história (real) que muitos ruivanenses por certo desconhecem. Tudo começou em finais do século XIX, quando o governo do rei D. Luiz I resolveu intervir na requalificação da estrada que ligava Braga a Chaves (a atual Estrada Nacional 103).
Naquela altura, todas as estradas do país eram designadas por “Estradas Reais” (ER), e a 103 era a Estrada Real 35 (ER 35), reconhecida como das principais no norte do país, o que justificava uma intervenção profunda, não obstante os altos custos que a obra iria acarretar. Teriam pela frente muitos obstáculos físicos, como a sua sinuosidade, grandes relevos do terreno e nalguns casos aturados trabalhos de engenharia, como a construção de pontes para encurtar distância, etc. Mas o reino vivia tempos desafogados. Contrataram-se então empresas e engenheiros de nomeada, e para o troço que abrangia Ruivães, onde uma ponte era indispensável, foi encarregue um construtor de Ávila (Espanha), para dotar a nossa vila com uma ponte espetacular em pedra sobre o rio Saltadouro, que veio substituir uma velhinha feita com traves no local do famoso poço com o mesmo nome, e é aqui que começa a ligação à Senhora da Roca e à sua capelinha.
Como é usual, iniciaram-se os trabalhos pela construção dos pilares um cada margem, sobre os aos quais o “tabuleiro” iria assentar. Porém, quando o tabuleiro iniciado na margem sul se aproximou da margem norte, constatou-se um desvio acentuado. Não coincidia! Desgraça das desgraças! Deu uma síncope ao construtor! Pois não, imaginem o prejuízo que desse erro adviria! Ao fim de algum tempo lá acalmou, estudou uma forma de contornar o erro. Alterou medidas e invocou á santa da sua terra, Santa Teresa de Ávila, que lhe acudisse, prometendo-lhe que se o novo plano resultasse, lhe erigiria uma capela naquelas imediações, E… não é que resultou? Ficou uma marca indelével do erro, lá está visível, e a promessa foi cumprida. Pouco acima da estrada, sobre um precipício encimado por uma grande “rocha”, edificou a capelinha. Estávamos em 1881 (data gravada na ponte). Naquele tempo, a palavra “rocha” escrevia-se e pronunciava-se “roca”.
Então, a imagem de Santa Teresa de Ávila viria a ser conhecida por “Senhora da Roca”, como Roca ainda hoje é conhecido o local. Passaram-se anos, e o povo que “roca” chamava àquele utensílio para fiar o linho e a lã, fez uma união dos nomes e alguém colocou na mão da Santa uma roca dessas, enquanto o pedregulho “roca” passou a chamar-se “rocha”. Mais recentemente, essa e outras imagens foram roubadas, e então se repôs uma outra imagem de uma Santa Teresa (que há várias), e uns lhe chamam “do Menino Jesus” outros simplesmente “Santa Teresa”, e a designação “de Ávila”, perdeu-se no tempo, bem como a homenagem do construtor também.
Enfim!... Não termino sem aludir a uma recitação que meu avô muitas vezes citava: - “Santa Teresa de Jesus, foi ao inferno em vida. Veio de lá admirada, com tanta alma perdida”.
Santa Tersa de Ávila vos proteja.
Manuel Joaquim F. Barros
2026-01-29
Retirado d' O Jornal de Vieira nº 1237 de 1 de Fevereiro de 2026.




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