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Quando me desloco a Ruivães, nas conversas com os meus conterrâneos, sempre “vem à baila” a história da nossa vila e a sua riqueza, mas constatamos que com o passar do tempo já poucos a podem contar… Muitos daqueles “velhinhos” a quem eu chamava “resistentes”, com quem muito aprendi, eram umas autênticas “enciclopédias humanas”. Mas… partiram, levando consigo a verdadeira história da nossa terra, que muitos deles ajudaram a desbravar. Entre outras coisas, ouvia-os referir nomes de locais que alguns conhecia, mas o nome era novo para mim, então os guardei na memoria, não todos porque são muitos, e essa curiosidade me acompanhou durante a vida, sempre lamentando que ao longo dos tempos nenhum responsável pelo destino de Ruivães se tenha dado ao trabalho de preservar este tesouro de conhecimentos históricos.
São muitas as “falhas”, mas hoje vou apontar uma porque passei. Aconteceu há uns anos atrás, quando tive uma dúvida sobre o nome de um local, desloquei-me à Junta e perguntei se haveria algum arquivo, ou documento que me elucidasse sobre o assunto, e… a resposta foi desanimadora; arquivo? Não, não temos nada disso. Era espectável, e por ali me fiquei. Mas há coisas inacreditáveis! Um destes dias, navegava pela net, quando algo me chamou a atenção, era a referência a uma tal “carta topográfica”. Querem saber o que isso é? Eu explico; é um mapa feito com bastante detalhe para representar:
- Altitudes e relevo, através de curvas e nível;
- rios, ribeiros, vales e montanhas;
- estradas, caminhos e pontes;
- povoações, casas e outros edifícios;
- florestas e outros tipos de ocupação do solo;
- pontos de referencia e coordenadas geográficas.
Pasmei; é justamente aquilo que Ruivães devia ter, mas não tinha quando precisei. Hoje, não sei, tenho esperança na máxima de Camões quando disse; “ mudam-se os tempos, muda-se as vontades”. Oxalá! Então, aproveitando a embalagem, e a IA, pedi ao chat para nessa base me fazer um estudo de Ruivães, e ele fez, eis o resultado: “Sim. Para a área de Ruivães (Vieira do Minho), uma carta topográfica permitiria perceber não só onde ficam as localidades e estradas, mas também a configuração das serras, vales e diferenças de altitude”.
Outros sim, há algum tempo atrás, também, tive de consultar o portal do Estado para solicitar a caderneta predial da casa de Ruivães. encaminharam-me para a Direção Geral das Finanças - Reforma de Tributação do Património -, Informação do Imposto Municipal sobre Imoveis (SIGIMI), ou seja o IMI. Aqui, podemos encontrar o que versei atrás, referente à Carta Topográfica, onde constam oitenta e quatro lugares de Ruivães por ordem alfabética. A saber; Alto da Sentinela, Alto das Cavadas de Ruivães, Azevedas, Barca de Frades, Barroca, Botica, Cabeço, Cabreira, Cancelos, Cantadeira, Castanheiros de Vide, Chã de Prado, Chã dos Pinheiros, Chã Pequena, Corga de Mendo, Corte do Pena, Couço, Coutadas da Peneda, Deveza, Encosta do Sol, Espindo, Fiopeiro, Fonte da Lousa, Fonte das Lamargas, Fornos Velhos, Frades, Fragas do Toco, Fragas do Tremonha, Gândara, Gaviões, Jadelo, Lage Nédia, Levada de Ruivães, Mariolas, Outeiro do Curral, Outeiro do Vale, Outeiro dos Coutos, Paixão, Paradinha, Pau da Bela, Pedreira 1º, Peneda, Permarelhos, Picota, Pitões, Ponte da Misarela, Ponte de Chedas, Ponte da Mua, Ponte do Caldeirão, Ponte do Meio, Ponte do Saltadouro, Ponte Grande, Ponte Pequena, Ponte Poldro, Ponte Velha, Pontilhão, Pontilhão dos Pardieiros, Pousadouro, Rebordondo, Regato da Chã da Gaga, Regueiro da Encosta do Sol, Ribeiro das Ladeiras, Ribeiro de Cheda, Ribepro de Soutinho, Ribeiro do Toco, Rio da Peneda, Rio de Saltadouro, Ruivães, Ruivais, Santa Isabel, Santa Leocádia, Santa Teresa, São Cristóvão, Serradela, Soutelos, Tapada do Malainho, Toco, Tojeira, Vale, Venda, Vinhal, Zebral.
Ora, pelo menos um apanhado assim, não podia constar dos “apontamentos da Junta”? Repito que presentemente não sei, mas tenho esperança que com o sangue novo injetado as coisas em Ruivães tenham evoluído. Saudações Ruivanenses.»
Manuel Joaquim F. de Barros
2026-10-29




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