terça-feira, 15 de setembro de 2015

Pardinho 2015, por Ana Miranda


Era quase meio dia do passado dia 22 de Agosto quando um grupo de consortes da Levada do Poço Longo, de Ruivães e da Botica, interessados e trabalhadores, se uniu no lugar das Cruzinhas, perto de Caniçó e Linharelhos, nos limites dos concelhos de Vieira e Montalegre, para fazer cumprir o Pardinho. 

De acordo com a tradição, no Pardinho «os compartes, "de sachola e de farnel", vão até ao Rebolar e à Senhora dos Aflitos, situados na bacia de recepção da Ribeira de Lamas que, a latitude da Chã de Coelhos, passa a ser o Rio da Lage. Todos os regos são então canalizados para a levada, já que estas águas lhes pertencem por ordem do tribunal.» (fonte: www.ruivaes.com).

Saídos daí, o grupo de 15 pessoas dividiu-se em 3, seguindo cada um o seu trajeto. De sacholas em riste, seguiram a levada, repondo o seu curso, abrindo o que havia sido obstruído pelo normal fluir da água ou por mão humana que a desviou.

Monte acima, de pedra em pedra, caminho após caminho, os bravos trabalhadores não pararam até ter todo o trabalho feito, orgulhosos da sua obra e de serem interessados por aquilo que é nosso e faz parte do legado dos nossos antepassados.

Pelo caminho foi muita a sã e amena cavaqueira, com os mais habituados a estas lides a contarem histórias passadas, de aventuras, encontros e desencontros, ocorridos em tempos antigos.

Já se fazia tarde e o estômago já dava sinal, quando os 3 grupos se encontraram no local do merendeiro. Com as mantas já estendidas no chão e com as suas famílias e outros participantes já instalados, deu-se início ao tão aguardado merendeiro. 

Estômago cheio e aconchegado, a animação continuou ao som do bombo e do acordeão, onde os mais "atrevidos" arriscaram um pezinho de dança e as gargantas mais afinadas deram o ar da sua graça.

Após este convívio tão animado, seguiram todos em direção à Botica e Ruivães. A grande maioria fê-lo a pé, apesar da chuva miudinha que começou a cair. Homens, mulheres e crianças de tenra idade, seguiram por Caniçó e Linharelhos, até chegar ao Carvalhal do Esporão, em Lamalonga. Aí chegados, nova paragem para afagar a fome e a sede. Com a chuva a cair cada vez mais, poucos foram os que se acanharam e dispensaram novo convívio acompanhado de mais música, muita conversa e animação.

Saídos daí, agora já nas viaturas que acompanhavam a comitiva, seguiram para a Botica, onde nas Pedras Quebradas fizeram nova paragem para repetição do ritual. Aí, foi tirada uma foto de grupo, a chamada selfie, o que prova que a tradição se pode aliar à modernidade.

A partir daqui seguiram apenas os moradores em Ruivães, que fizeram nova e demorada paragem no lugar do Arco, junto à EN103. A chuva continuava... mas a sede era muita! Alguns aproveitaram para acabar com o merendeiro, outros para matar a sede e outros apenas para conviver.

Por fim, em direção ao Largo da Vila, em Ruivães, seguiram os resistentes, dando por terminada a edição de 2015 do Pardinho. 

Está de parabéns o grupo de Ruivanenses que teima em repetir, e bem, esta tradição ano após ano. De salientar a participação de elementos novos, que nunca se haviam juntado ao grupo, e a média de idades dos participantes no Pardinho deste ano, não só no trabalho como no merendeiro, o que provou que a juventude não ignora as tradições e faz questão de as reviver em família, respeitando-as e prolongando-as no tempo.





Ao Pardinho, ao Pardinho

Levem as merendas, que nós levamos o vinho!

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