domingo, 28 de dezembro de 2025

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Zebral


 

Estradão em Zebral


 

Zebral


 

Atenção




 

Zebral


 

Ponte de Zebral (velha)






 

Porta em Zebral


 

Porta em Zebral



 

Cancela em Zebral


 

Cancela em Zebral


 

Cancela em Zebral


 

Cancela em Zebral


 

Ponte de Zebral (velha)



 

Zebral

sábado, 27 de dezembro de 2025

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«Senhora da Saúde em Vale»


 


        


Que bem nos faz regressar às nossas origens e vivenciar as práticas atuais, cujas origens remontam a décadas passadas, que foram a afirmação do povo e se perpetuaram no tempo em homenagem aos seus criadores!..


Celebrou-se, nos dias 12 e 13 do mês de Julho do corrente ano, mais uma edição da festa em honra da Senhora da Saúde no lugar de Vale, União das freguesias de Ruivães e Campos, proporcionando motivo para atrair forasteiros e dar alguma vida a uma povoação que tem assistido à perda da sua gente e consequentemente ao abandono o seu principal recurso, a agricultura.
Caminhava para o fim a dé­cada sessenta do seculo vin­te, quando o povo do lu­gar de Vale se uniu para, a exemplo dos demais lugares da freguesia, também reivin­di­car a sua capela, esta em honra da santa que tinha re­si­dência no lugar, mas numa ca­pela particular anexa à ca­sa do Corvo, o que condi­cionava a sua adoração.
Ainda me lembro do tempo em que a imagem da santa era disponibilizada pe­los proprietários daquela ca­sa, transportada de Vale pa­ra a vila a fim integrar a procissão nas festas que se realizavam e que ainda se realizam no mês de Agosto em honra de Santa Bárbara, Santa Teresa, São Cristóvão e São Sebastião. Findas as festividades, regressava ao seu local de origem.
Resultou então que, como dizia Fernando Pessoa “Deus quer, o homem sonha, a obra nasce”, com a apro­vação da arquidiocese de Braga e a benemerência de proprietários locais, foi dis­ponibilizado o terreno pa­ra a edificação da capela e a criação de acessos; estes na altura muito rudimentares, in­gremes, em terra batida e poeirenta, mas que não fo­ram obstáculo à afirmação da­quele espaço como local da atração em dias festivos.
Naquela época, a fé era ti­da como um dos valores fun­damentais para o equilíbrio social, sendo a crença de­terminante na obtenção da gra­ça divina para realização pessoal e espiritual. Por isso, foi fácil a mobilização para a concretização de tal propósito, reunindo-se verba através de peditórios e mão-de-obra dis­ponibilizada pela população local para lhe dar forma, co­mo aconteceu, vindo a mesma a ser inaugurada e dis­ponibilizada para o culto no ano de 1971.
Desde então para cá, o po­vo do lugar vem honrando a Santa no segundo fim-de-semana do mês de Julho de cada ano. Este ano não foi exceção, pese embora o afastamento das pessoas das questões religiosas, o abandono do mundo rural e o despovoamento do interior do país, mas o povo do lugar de Vale, sendo muito poucos, con­tinua resiliente e determi­nado em manter viva uma tra­dição que para além do sim­bolismo que representa, ho­menageia aqueles que lhe deram origem.
O lugar de Vale, nos dias que correm, não terá muito mais do que trinta habitantes re­sidentes, mas a garra, o em­penho e determinação de um povo não se mede pe­la quantidade, mas pela qua­lidade e, pese embora os condicionamentos de recur­sos financeiros, naturais dos tempos que correm, a comissão de festas não deixou de cumprir a tradição e assim per­mitiu que as ruas do lugar de Vale fossem mais uma vez percorridas em ato de fé, por gente que acredita.
A capela da Senhora da Saúde no lugar de Vale está si­tuada por cima do lugar, com vistas sobre a povoação, abrangendo a vila de Rui­vães, os lugares de Es­pin­do e Zebral e parte norte da serra da Cabreira. Apre­sen­ta vista panorâmica de en­cantar, e tem muito bons acessos. É local muito digno de ser visitado. Aliás, o lugar de Vale oferece locais panorâmicos de exceção, que merecem ser visitados.
Fernando Araújo da Silva
2025-07-30

«XV Caminhada pela Cabreira assinala 10º aniversário AJA»


 

A Associação Juntos pela Aldeia de Espindo (AJA Espindo), em Ruivães, fundada em 2015, celebrou o seu 10.º aniversário com a realização da tradicional Caminhada à Serra da Cabreira, seguida de um animado Almoço Convívio para as gentes da aldeia.
Esta edição contou com a participação de cerca de 40 caminhantes e reuniu aproximadamente 120 pessoas à volta da mesa comunitária, designadamente, com a honrosa presença da Vice-Presidente da Assembleia Municipal, Eng.ª Paula Morais, que representou o Município de Vieira do Minho, representantes do poder local, assim como o Presidente do Conselho de Baldios.

A ca­mi­­nha­da permitiu a descoberta de locais emblemáticos de Espindo, a qual teve início às 8:30h da manhã. Os participantes seguiram pelo caminho dos Espereiros, margeando a zona dos rios e as ruínas dos moinhos do Cascão e da Bolata. Seguiram depois em direção à estrada romana até à Sorte de Barbeito de Santo António, Sorte de Mixões, Porditeiros, Placas e Serradela — onde puderam usufruir de uma pausa contemplativa num baloiço com vista privilegiada sobre o Vale do Túrio, ladeado pelos montes de Jadêlo, Arandosa, Pedra Escrita, Cabeço e Cabeça da Vaca. O trajeto passou ainda pela Buraca do Fojo, que alberga o histórico Fojo do Lobo, e pela mítica área da Portela, considerada local da antiga Aldeia Velha de Espindo, cuja existência hoje apenas denunciada pelas ruínas escondidas na densa vegetação.
A aventura continuou com a descida até à Ponte do Poldro, permitindo a observação da cascata do Sarapinheiro no ribeiro do Curral do Toco, e o vislumbre de um dos 13 moinhos originais da aldeia. Na Costa – Carvalha do Lombo, os caminheiros posaram para uma foto que servirá de cartaz para a próxima edição. Seguiram-se visitas ao Forno Comunitário e ao Pólo Interpretativo do Lobo, onde se destacou a relação histórica da aldeia com este animal icónico.
No final, o presidente da direção da AJA Espindo, aproveitou para prestar homenagem aos sócios e amigos que, durante uma década, têm trabalhado com dedicação, destacando nomes como Manuel Pereira, João Paulo, Maria do Rosário, Norberto e Ana; Joca, Eva, Joaquim, Susana, Aníbal, José Costa, André, Amadeu, Paulo, José João, Albino; e ainda José Fecha, Ricardo, Fernando, Joana e Romeu. “Celebrar este dia e a nossa Associação seria vazi­o se não vos celebrássemos também. Sem vocês, nada disto faria sentido: vocês são o garante — porque transformam o que às vezes parece impossível em realidade, com vontade, empenho e compromisso.”
A mensagem de gratidão estendeu-se também aos sócios falecidos, cujas memórias foram honradas com saudade.
Ao recordar o passado coletivo e olhar com ambição para o futuro, reforçou-se a identidade de Espindo como uma associação vibrante, que preserva tradições e acredita no poder do associativismo como motor de mudança local, tendo ficado evidente que a associação tem sido uma força vital na preservação das tradições, na promoção dos convívios e na dinamização local, contando com pontuais apoios da Câmara Municipal de Vieira do Minho, do Conselho de Baldios e da empresa EOLENERG – Empreendimentos Elétricos SA, o que legitimamente se enaltece e agradece. Porém, a persistente falta de recursos básicos, desde equipamentos essenciais para a gestão da associação até infraestruturas digitais como o Wi-Fi, revelam um desfasamento preocupante entre as necessidades reais da aldeia e as respostas institucionais.
Espindo não pode ficar à margem das transformações que o mundo exige. Os jovens, os visitantes, os residentes – todos clamam por condições que permitam crescer, aprender e prosperar. Não se trata de um pedido de protagonismo, mas de um apelo legítimo para que o poder público reconheça e apoie o trabalho incansável de quem se dedica, sem descanso, ao bem comum.
A AJA Espindo tem a vontade, a capacidade e a visão para fazer mais. O que falta é um compromisso sério das entidades responsáveis para que esse potencial se traduza em resultados palpáveis.
Este é um momento para refletir: queremos mesmo que a nossa aldeia continue a crescer ou preferimos que as oportunidades passem ao lado? A resposta cabe a todos nós — só unidos e com apoio firme poderemos garantir um futuro digno para a AJA na generalidade e para a aldeia de Espindo em particular.
Guilherme Gonçalves (Presidente da AJAEspindo)
2025-08-28

«Homenagem a antigos combatentes em Ruivães e Campos»



A União de Freguesias Ruivães e Campos, com a colaboração do Município, na manhã de 19 de Agosto prestaram dignas homenagens a antigos combatentes na Guerra do Ultramar. Em Campos, foram 55 os que receberam guia de marcha para África e todos regressaram, enquanto de Ruivães, dos 134, três, José Vieira, Fernando Pereira e José Fraga, morreram ao “serviço da Pátria”. Nestas freguesias, junto às igrejas paroquiais, em dois monumentos em pedra granítica estão gravados os seus nomes para que sejam recordados pelos familiares e seus vindouros.
As cerimónias começaram pelas nove horas, em Campos, com celebração de uma missa na igreja Paroquial, presidida pelo pároco, Padre Fernando Machado, que teve o acompanhamento do grupo coral e do estandarte do Núcleo de Braga da Liga dos Combatentes. Participaram também na cerimónia, para além dos presidentes da Assembleia e Câmara Municipal, respectivamente, Luís Carneiro e Elsa Ribeiro, o ex-presidente da Câmara, António Cardoso, o presidente da União de Freguesias, Manuel Pereira, o Coronel António Estudante da Liga dos Combatentes, o Tenente Coronel Pinto da Costa, presidente das Comemorações dos 50 anos do 25 de Abril, o presidente da AHBVVM, Carlos Branco e o Cabo da GNR Vítor Costa.
Após o Hino do silêncio, interpretado pelo maestro Cristiano Gonçalves, combatentes ou familiares de combatentes já falecidos receberam uma lembrança da Junta de Freguesia, seguida de intervenções de Pinto da Costa, que manifestou o seu sincero agrado, entusiasmo cívico e patriótico por ver concretizado esta homenagem de “culto de memória” e da gratidão devida, a quem deu à nação portuguesa, três ou mais anos da sua juventude, servindo a Pátria onde ela os chamou”. Seguiu-se a intervenção do presidente da Junta, Manuel Pereira, que agradeceu a presença das entidades e dos combatentes e “como representante político desta freguesia, sinto-me honrado por poder materializar esta merecida homenagem a tão generosos e distintos cidadãos que foram também valorosos combatentes ao serviço do país”.
Elsa Ribeiro que encer­rou as cerimónias, em ambas as freguesias, com um discurso emotivo prendeu a atenção de to­dos. Recordou conta­ctos que teve recentemente com familiares que “reivindicavam” estas homenagens. “Cumpre-nos a nós homenagear aqueles que saíram destas terras há mais de 50 anos. Ficaram marcados por uma guerra, longe das famílias, longe da sua terra natal. À medida que ia entregando as lembranças, diziam-me era o meu pai, o meu tio, o meu filho, o meu sogro. Ou seja não foi só os jovens que foram para a guerra. Foi a família que foi para a guerra com eles. A família que sofria tanto, por cada Natal sem eles na mesa. Por cada aerograma que não chegava, por cada carta que não era entregue pelo correio. Tudo is­so marcou uma popu­lação que está aqui, ho­je, com as lágrimas nos olhos. Essas lágrimas são de saudade, de reconhecimento. Mas, é revivendo, é homenageando que nós valorizamos todos estes jovens, estes menos jovens que deram o seu sangue por esta Pária. Estiveram neste contexto tanto tempo que não deviam ter estado. Na sacola pouco mais leva­vam que a esperança de voltar, muitas vezes até isso lhes foi roubado. Chorar não é sinal de fra­queza, é sinal de senti­mento, de saudade. É sinal de amor. Por isso não tenham receio que essas lágrimas saem do coração. Por isso estamos aqui hoje a homenagear estes nossos amigos as, memórias destruíram a sua felicidade, regressaram com sentimento de dor nos seus semblantes. Muitas dessas vivências. Sou professora e é importante que os nossos alunos, os mais pequenos tenham essa noção de quem foram estes heróis e ao passarem, por aqui e verem monumento, possam dizer foi o meu avô, o meu pai, o meu tio. Foi alguém que honrou Portu­gal com a sua bravura, com o seu sangue. Para todos estes ex-combatentes, para todas as famílias, para todos os que conviveram com eles, o nosso bem hajam, porque eles são, efectivamente os nossos heróis”.
Elsa Ribeiro também teve uma palavra de apreço pessoal, institucional, para o Padre Fernando. “ Sei que não foi fácil para ele fazer a homilia, hoje, porque também é familiar de alguém que está neste contexto”.
De referir que quer em Campos, às 9 horas e em Ruivães, às 11 horas, as cerimónias obedeceram a um protocolo gizado por Pinto da Costa e em ambas as localidades, a Junta de Freguesia ofereceu um lanche a todos e foram muitos, os que participaram nas cerimónias num dia de semana.

«Pardinho 2025»


 

«Equipa de Intervenção Permanente dos Bombeiros Voluntários»


 

A Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Vieira do Minho informa que, no dia 1 de outubro de 2025, entrou em funções a 3.ª Equipa de Intervenção Permanente (EIP) desta corporação, sediada na Secção de Ruivães.

A constituição desta nova equipa representa um reforço significativo da capacidade de resposta operacional da AHBVVM, garantindo também um alargamento do horário de funcionamento da referida secção. A 3.ª EIP é composta por cinco bombeiros altamente qualificados, todos com formação especializada em emergência pré-hospitalar e nas diversas áreas de atuação relacionadas com as operações de socorro. Com base estratégica na área norte do concelho de Vieira do Minho, esta equipa vem assegurar uma resposta mais célere e eficaz no apoio às populações, contribuindo para o reforço da segurança e do socorro naquela região. Esta iniciativa resulta de uma parceria institucional que envolve a Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Vieira do Minho, a União de Freguesias de Ruivães e Campos, a Câmara Municipal de Vieira do Minho e a Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil(ANEPC). De destacar que a Câmara Municipal de Vieira do Minho e a ANEPC assumem, em partes iguais, 50% dos custos com o pessoal desta equipa. A AHBVVM sublinha que este reforço é mais um passo no compromisso contínuo de servir e proteger a população vieirense, elevando a qualidade da resposta em situações de emergência.
2025-10-14

«Ser Bombeiro, é...»


Vulgarmente, define-se bombeiro como a pessoa que tem por missão a ex­tinção de incêndios e que auxilia todos aqueles que foram vítimas de acidentes.

A verdade é que este é o seu trabalho, mas a definição parece ser redutora, quando muitos destes homens e mulheres colocam em risco a sua vida em benefício da sobrevivência dos outros. Uma profissão de bravura e coragem, que não se coaduna com uma simples definição, porque a sua grandeza e extrema importância são muito maiores. Mergulhando na história dos bombeiros, sabe-se que foram os he­breus e os gregos os primeiros povos a despertar para a importância do combate ao fogo. Para tal, criaram vigias noturnas responsáveis por rondas e pelo alarme em caso de incêndio. Também na antiga Roma havia grupos de pessoas que faziam o policiamento durante a noite, dando o alerta em ca­so de fogo ou outro tipo de acidentes.

Em Portugal, a história dos bombeiros inicia-se com a carta régia de D. Jo­ão I, datada de 1395. Nela podia ler-se: “em caso que se algum fogo levantasse, o que Deus não queria, que todos os carpinteiros e calafates venham àquele lugar, cada um com seu ma­chado, para haverem de atalhar o dito fogo. E que outros sim todas as mulheres que ao dito fogo acudirem, tragam cada uma seu cântaro ou po­te para acarretar água para apagar o dito fogo”. Ainda no nosso país, a his­tória das Associações de bombeiros inicia-se em 1868, com a criação da Com­panhia de Voluntários Bombeiros de Lisboa, que mais tarde passou a designar-se de Associação de Bombeiros Voluntários.
No nosso concelho, Vieira do Minho tem a sua As­sociação de Bombeiros, com uma secção em Ruivães com excelentes instalações que muito nos orgulha, pena é que tenha perdido o fulgor que teve inicialmente, mas que fazer? Já Camões dizia: “Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades”.
Toda a minha vida admirei os bombeiros, e trinta anos da minha vida profissional estiveram ligados a inúmeras Corporações que me levaram a percorrer o país de norte a sul, e em cada delas fiz excelentes amizades, e só lamento que os bombeiros voluntários não sejam uma instituição estatal como acontece na maioria dos países desenvolvidos. Como me chocava ver corporações a subsistir de cotizações, peditórios para a compra de uma ambulância, ou rifas para uma viatura. Enfim!
Saudações ruivanenses.
Manuel Joaquim F. de Barros
2025-10-14

«As vindimas em Espindo»


 




Setembro chega com a azáfama das colheitas, trazendo aos agricultores a canseira de mais um ciclo agrícola que se completa. É tempo de recolher os frutos do trabalho de um ano inteiro — e, na nossa região, o ponto alto é, sem dúvida, o das vindimas, particularmente em Espindo.
A uva, es­se fruto generoso que o sol fez des­pontar na primave­ra, amadureceu ao lon­go do verão sob o calor do Astro-Rei. Agora, dourada e pronta, con­vi­da à co­lhei­ta, para dar origem à bebida maravilhosa que, há séculos, acompanha as nossas refeições.

Chegou a hora de a colher. Em tempos idos, era preciso mobilizar verdadeiros exércitos de homens e mulheres, tesoura em pu­nho, que percorriam as leiras das vinhas, apanhando cacho a cacho com cuidado e destreza. Era um ritual que envolvia toda a comunidade.
Longe vão os tempos em que tudo era feito à mão: o corte da uva, o transporte às costas ou à cabeça até às dornas, levadas depois em carros de bois para os la­gares. Quando o lagar es­tava cheio, grupos de homens saltavam para dentro e, durante horas, pi­savam os cachos com os pés — “calcar o vinho”, como se dizia. Entre cantigas e anedotas, o trabalho árduo ganhava leveza.
Hoje, os tempos mudaram. As máquinas — tratores, esmagadores e outras — vieram facilitar muitas des­tas tarefas. Depois da co­lheita, as uvas são esma­gadas mecanicamente e deixadas a fermentar com o engaço, durante alguns dias, para afinar a cor ruiva do vinho novo.
Contudo, a desertificação e o abandono progressivo das terras provocaram a per­da de muitos vinhedos. Fe­lizmente, em Espindo ainda há — quase contados pelos dedos — lavrado­res que mantêm viva a tradi­ção. É o caso da Casa do Brás que, sob a égide do Plano de Atividades da AJA Espindo, conti­nua a vindi­mar como dantes, hon­rando os gestos dos antepassados. Ao Albino, à Albina, à Palmira e ao André, o meu sincero agradecimento, por mais este ano.
Passados 12 a 15 dias, quando a fermentação ter­mi­na, faz-se a trasfega do lagar para as pipas, onde o vinho repousará até ser provado no São Martinho, como manda a tradição, e, depois, consumido ao lon­go do tempo.
Ano após ano, entre podas e preparações, nasce assim o vinho que anima quem o faz e alegra quem o bebe.
A Terra o dá, o homem ce­lebra.
Guilherme Gonçalves (Casa do Brás – Espindo)
2025-10-29

«Empresa metalomecânica celebrou 38 anos de actividade em Ruivães»





Em Outubro a Serralharia Fernando Carvalho Duarte, com sede em Ruivães, celebrou 38 anos de atividade, marcando quase 4 décadas de traba­lho contínuo, dedicação e evolução no setor da me­talomecânica. Desde a sua fundação, a empresa tem vindo a consolidar a sua presença no mercado nacional e internacional, centrada na qualidade, inovação e resposta técni­ca às necessidades dos clientes. Desde 1987, tem realizado inúmeros investimentos em modernização tecno­ló­gica, capacidade pro­du­tiva e otimização de processos. Atualmente dispõe de um departamento técnico dedicado ao desenvolvimento de produto e apoio técnico, secções especializadas em alumínio, ferro e inox.
Situada num parque in­dustrial que ultrapassa os 1500 m2, tem respondido a diferentes escalas e exi­gências de produção. Recentemente reforçou a sua competitividade com a aquisição de uma máquina de soldadura a laser, investimento que permite maior precisão, rapidez e qualidade no nível de acabamento de produto.
A experiência acumulada permite concretizar projetos que combinem rigor técnico, durabilidade e conformidade, desde caixilharias personalizadas a estruturas complexas e sistemas motorizados. A comemoração dos 38 anos, representou um percurso construído com pro­fissionalismo, inovação contínua, criação de so­lu­ções técnicas à medi­da, aumentando assim a proximidade com os cli­entes e honrando o legado iniciado em 1987. A Empresa aproveita ainda esta data para agradecer a confiança dos clientes, a dedicação dos colabo­radores e o contributo dos parceiros, pilares essen­ciais para o percurso já alcançado, presente e futuro da empresa.
2025-11-12

«Levada do Poço Longo: Um alerta na defesa de direitos ancestrais»


 

Está a decorrer o processo de consulta pública (entre 2025-10-07 e 2025-11-17) da responsabilidade da MINERÁLIA, para apreciação e decisão pelas autoridades competentes para a execução do projeto de concessão e exploração da Mina da Borralha, que terá impacto nas freguesias de Salto, do concelho de Montalegre, e a UF de Ruivães e Campos, no concelho de Vieira do Minho.
Para além dos demais impactos para a UF de Ruivães e Campos, o projeto de execução poderá originar a retirada de água do caudal da Ribeira da Laje, mais precisamente o desvio da mesma na barragem da Cruzinha para abastecer a mina; água que faz parte da linha de água que alimenta a levada utilizada para regadio das populações de Ruivães, Quintã, Vale e Botica e que ao longo de séculos as referidas populações têm pugnado pela defesa dos direitos à mesma, com ações no terreno de trabalhos de manutenção e vigilância.

A exploração daquela água para regadio vem seguramente de data anterior ao ano de 1790 e confirmada na autorização concedida neste ano pela Rainha D. Maria, conforme consta na Certidão de Teor do documento arquivado no maço de documentos arquivados a pedido das partes e registado no respetivo livro número dois, a folhas vinte e quatro, que em seis de Março de mil novecentos e setenta se encontrava arquivado no Cartório Notarial de Vieira do Minho e de cujos registos nessa data foi extraída certidão de teor para entrega à Comissão Administrativa da levada que nessa data administrava “… que António Luis de Miranda Meneses e Magalhães, Capitão Mor do concelho de Ruivães, Comarca de Bragança; Me Representou por sua petição que ele com os mais Moradores da Vila do mesmo Concelho e Juradia de Ruivães, Vale, Quintão, e honras, se utilizarão de uma Levada de Água do Rio de Ruivães, no sítio do Poço Longo, para Regarem os seus Milhos no Tempo necessário; e porque no tempo em que aos mais consortes se lhes não fazia preciso e a deixarão correr para o Rio; a queria o Sup.e aproveitar para Limar das suas terras e poder conduzir a mesma água pelo Aqueduto que era conduzida pelo tempo de Verão não só a Regar as suas Terras, mas também dos demais consortes…”. “,,,.Hei por bem que o Sup.e possa conduzir para as suas terras a Água do Rio mencionado pelo mesmo Aqueduto que ele e os mais consortes se servem.”
Resulta então que as águas que alimentam a levada do Poço Longo são todas as águas resultantes das escorrências das chuvas e nascentes naturais que alimentam as respetivas linhas de água a montante da represa do Poço Longo e que garantem o caudal do rio da Laje, popularmente conhecido por rio de Ruivães, no qual se encontra a referida barragem da Cruzinha, sendo que o direito àquelas águas, em tempos idos, deu origem a uma ação judicial de disputa das mesmas entre a população de Ruivães e proprietários das terras a montante da represa do Poço Longo, constando que na ação de julgamento foi apresentada a imagem de S. Bartolomeu como herdeiro da mesma água, cuja decisão foi favorável às gentes de Ruivães. De então para cá, no dia 24 de Agosto de cada ano (dia de S. Bartolomeu), pelo menos até às 12h00, a água da levada corre pela conduta em frente ao adro da igreja paroquial de Ruivães, no fundo da Cerca, em homenagem ao santo.
De qualquer forma, sempre importará ter em conta que aquelas águas foram concedidas para o fim especifico que era “… para Regarem os seus Milhos no Tempo necessário…” e “…aproveitar para Limar das suas terras…”. Ora, os milhos, atualmente, muito poucos se cultivam e a rega de lima não se faz, estando a esgotar-se os fins da concessão régia e corre-se o risco da mesma se perder por força do artº. 1397º. do Código Civil que diz “As águas referidas nas alíneas d), e), e f) do nº. 1 do artº 1386º. são inseparáveis dos prédios a que se destinam, e o direito a elas caduca, revertendo as águas ao domínio público, se forem abandonadas, ou não se fizer delas um uso proveitoso correspondente ao fim a que foram destinadas ou para que foram concedidas.”
Embora as atividades agrícolas que garantiram a subsistência aos habitantes locais não tenham a expressão de outrora, certo é que a água da levada do Poço Longo é um bem que merece muita atenção, tanto pelo valor inestimável que sempre teve como fator de produção das terras, como o que tem atualmente pela disponibilidade de um bem essencial à vida das populações, sendo fator de alimentação de nascentes a jusante do aqueduto principal.
As populações de Ruivães devem continuar, firmemente, a pugnar pelo direito à água da Levada do Poço Longo. Mas a melhor maneira de o fazerem é darem uso à mesma por forma a que não sejam permitidos aproveitamentos pelos grupos económicos que por norma ignoram os direitos ancestrais, os usos e costumes, as populações e o património. E as terras de Ruivães, Quintã, Vale e Honras (Botica), não se podem dar ao luxo de ficarem sem a água da levada, sob pena de se transformarem em deserto, dado as caraterísticas orográficos e a composição dos frágeis solos.
Ruivães, 06.11.2025 - Fernando Araújo da Silva
2025-11-12

«Rui Silva novo presidente da União de Freguesias»


Em 25 de Outubro, An­tónio Pereira, presidente da Assembleia de Freguesia cessante deu posse aos eleitos nas au­tárquicas que deram a vitória ao Partido Socialista, 60,47%-335 votos, contra a lista do PSD que teve 37,73%-209 votos.


Assim, o PS volta a go­ver­nar a freguesia, sendo Rui Jorge Peixoto da Silva o novo presidente da União de Freguesias de Ruivães e Campos para o quadriénio 2025/2029. Paulo Jorge Pereira é o secretário e Bárbara Fraga Campos a tesoureira. Como vogais tomaram posse: Jaime Ferreira de Car­valho, do PS e Jorge Pereira Gago, João Lopes da Silva e Paula Sousa Fernandes, do PSD.